Irã não tem confiança nos EUA e negociará apenas se for sério, diz chanceler

15 mai 2026 - 08h39

Teerã não tem "nenhuma ‌confiança" nos Estados Unidos e está interessada em negociar com Washington somente se for sério, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, na sexta-feira, enquanto as conversas sobre o fim da guerra ⁠permaneciam suspensas.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Nova Délhi
 15 de maio de 2026    REUTERS/Adnan Abidi
Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Nova Délhi 15 de maio de 2026 REUTERS/Adnan Abidi
Foto: Reuters

Todas as embarcações podem passar pelo Estreito de ‌Ormuz, exceto aquelas que estão em guerra com Teerã, declarou Araqchi aos repórteres em Nova Délhi ‌durante uma visita para participar da ‌reunião dos ministros das Relações Exteriores do Brics, ⁠acrescentando que as embarcações que desejam transitar devem coordenar com sua marinha.

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A situação em torno do importante canal é "muito complicada", segundo ele.

O Irã praticamente fechou o estreito, que antes movimentava cerca de um quinto do ‌suprimento mundial de petróleo e gás, para a maior ‌parte do tráfego ⁠marítimo após ⁠o início da guerra com EUA e Israel em fevereiro.

Washington e ⁠Teerã anunciaram um ‌cessar-fogo no mês passado, ‌mas têm encontrado dificuldades para chegar a um pacto de paz permanente. As conversações, mediadas pelo Paquistão, foram suspensas desde que o Irã e ⁠os EUA rejeitaram as propostas mais recentes um do outro na semana passada.

"Mensagens contraditórias" nos deixaram relutantes quanto à real intenção dos norte-americanos nas negociações, disse Araqchi, acrescentando que o ‌processo de mediação do Paquistão não fracassou, mas está enfrentando dificuldades.

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O Irã está tentando manter o cessar-fogo ⁠para dar uma chance à diplomacia, mas também está preparado para voltar a lutar, afirmou ele.

As questões que impedem as negociações entre os dois lados incluem as ambições nucleares do Irã e seu controle de Ormuz.

A declaração de Araqchi na sexta-feira veio horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que sua paciência com o Irã estava se esgotando e concordou, em conversas com o presidente chinês Xi Jinping, que Teerã deve reabrir o estreito.

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