O Exército israelense afirmou que a ofensiva foi desencadeada após o lançamento de drones explosivos pelo Hezbollah contra o norte de Israel. Segundo as Forças de Defesa Israelenses, o ataque não deixou vítimas, mas foi classificado como uma nova quebra dos termos do cessar-fogo. A resposta militar, de acordo com os comunicados oficiais, foi conduzida com o objetivo de neutralizar alvos do grupo apoiado pelo Irã.
A escalada ocorre em paralelo a um esforço diplomático ainda em andamento. Representantes de Israel e do Líbano se reuniram em Washington para discutir a manutenção da trégua, em encontros que, segundo autoridades norte-americanas, foram considerados produtivos e construtivos. As negociações devem continuar, mas esbarram no aumento das hostilidades em campo, o que reduz as chances de avanço no curto prazo.
Cessar-fogo?
Mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo em 17 de abril, Israel manteve ataques seletivos contra posições do Hezbollah no território libanês. Levantamentos baseados em dados oficiais indicam que mais de 400 pessoas morreram nessas operações desde então, evidenciando que o acordo não foi suficiente para interromper a dinâmica de confrontos.
Na tentativa de ampliar sua margem de ação, o Exército israelense emitiu novos alertas para retirada de civis em áreas consideradas de risco. Moradores de vilarejos próximos a Tiro foram orientados a deixar suas casas diante da possibilidade de novas ofensivas. Em mensagem divulgada em árabe, um porta-voz militar afirmou que as operações seriam intensificadas diante das sucessivas violações atribuídas ao Hezbollah.
Do lado libanês, o grupo armado xiita confirmou ter realizado um ataque com drone contra tropas israelenses posicionadas perto da fronteira. O episódio se soma a uma sequência de incidentes recentes, incluindo o impacto de drones que atingiram áreas civis israelenses e provocaram ferimentos em moradores, posteriormente levados a hospitais.
Pausa tática
A persistência dos confrontos reforça a leitura de que o cessar-fogo tem funcionado mais como uma pausa tática do que como um caminho para estabilização duradoura. Com prazo previsto para se encerrar nos próximos dias, o acordo enfrenta crescente desgaste, enquanto ambos os lados continuam a testar seus limites no terreno.
O cenário no sul do Líbano se insere em um contexto mais amplo de tensão regional, com múltiplas frentes abertas no Oriente Médio. A guerra em Gaza e o confronto indireto entre Israel e aliados do Irã ampliaram o risco de uma escalada, transformando a fronteira libanesa em um dos pontos mais sensíveis desse tabuleiro.
Adolescente é morto na Cisjordânia
Além do Líbano, a violência também se intensifica na Cisjordânia ocupada. Um adolescente palestino de 15 anos foi morto por disparos de soldados israelenses em uma localidade ao norte de Nablus. Segundo autoridades palestinas, o jovem foi atingido ao amanhecer e teve o corpo retido pelas forças israelenses.
O Exército de Israel afirmou ter atuado durante uma operação de combate ao que descreveu como atividade hostil, alegando que três indivíduos arremessavam pedras contra veículos israelenses. Os soldados abriram fogo e atingiram um dos jovens, segundo a versão oficial.
Dezenas de menores palestinos mortos desde 2025
O caso ocorre poucos dias após outro adolescente palestino, de 16 anos, também ter sido morto em circunstâncias semelhantes na mesma região. De acordo com dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ao menos 70 menores palestinos morreram na Cisjordânia desde janeiro de 2025, a grande maioria em ações atribuídas a forças israelenses.
A Cisjordânia vive uma escalada de violência desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então, mais de mil palestinos foram mortos no território, entre combatentes e civis, segundo dados da Autoridade Palestina. No mesmo período, autoridades israelenses registram dezenas de mortes entre civis e militares em ataques palestinos.
A intensificação dos confrontos em diferentes frentes revela a dificuldade de contenção do conflito na região. Entre operações militares, negociações travadas e episódios recorrentes de violência, o equilíbrio permanece instável - e a perspectiva de uma trégua duradoura, cada vez mais distante.
Com AFP