Irã afirma respeitar compromissos assumidos com os EUA após Trump declarar fim do cessar-fogo

O Irã afirmou neste sábado (11) que vem cumprindo os compromissos assumidos com os Estados Unidos desde a assinatura do memorando de cessar-fogo em junho. A declaração foi feita após o presidente americano, Donald Trump, voltar a afirmar que o acordo deixou de valer depois da retomada das hostilidades nesta semana e acusar Teerã de planejar seu assassinato.

11 jul 2026 - 07h55

"Até agora, o Irã cumpriu sua palavra", escreveu o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X. Segundo ele, "o respeito só pode existir quando é mútuo".

Os confrontos entre forças iranianas e americanas foram retomados na terça-feira (7). Os ataques registrados desde então representam a escalada mais grave desde a assinatura, em 17 de junho, do memorando destinado a encerrar de forma permanente a guerra iniciada em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

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Na sexta-feira (10), Trump voltou a declarar que o cessar-fogo estava "encerrado", embora tenha admitido a continuidade das negociações com Teerã. "A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as discussões. Concordamos com isso, mas deixamos claro, de forma inequívoca, que o cessar-fogo havia TERMINADO", escreveu o presidente americano.

O governo iraniano negou ter feito qualquer solicitação nesse sentido. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que Teerã não pediu a retomada das conversas e anunciou que Araghchi viajaria neste sábado para Omã, onde discutirá a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial e ponto central da disputa entre os dois países.

Teerã passou a permitir apenas uma rota de navegação ao longo de sua costa e descarta retornar às condições vigentes antes da guerra, quando a passagem pelo estreito era livre. Cerca de um quinto do comércio global de hidrocarbonetos passa pela região.

Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã em duas noites consecutivas depois de responsabilizar Teerã por ações contra três navios comerciais que navegavam pelo estreito.

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Em resposta, o Irã lançou ataques contra países vizinhos do Golfo Pérsico. Kuwait, Bahrein e Catar foram atingidos. No Kuwait, ao menos uma pessoa ficou ferida. O Catar participa das tentativas de mediação do conflito.

Acusações de plano para matar Trump

Na noite de sexta-feira, Trump também acusou o governo iraniano de planejar seu assassinato e voltou a ameaçar o país. "Mil mísseis estão prontos para serem lançados contra a República Islâmica do Irã, e milhares de outros virão em seguida caso o governo iraniano concretize sua ameaça de assassinar ou tentar assassinar o atual presidente dos Estados Unidos", escreveu na plataforma Truth Social.

O presidente acrescentou que as Forças Armadas americanas receberam ordens para destruir completamente alvos em território iraniano caso a ameaça se concretize.

Segundo os sites americanos Axios e Politico, Washington informou ao governo iraniano que o país teria até sábado para assumir publicamente o compromisso de interromper os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.

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Os Estados Unidos também restabeleceram sanções ao petróleo iraniano que haviam sido suspensas após o memorando de 17 de junho. Araghchi classificou a medida como uma "violação" do acordo de cessar-fogo.

A nova escalada ocorre dias após o funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no primeiro dia do conflito. Ele foi sepultado na sexta-feira no mausoléu do imã Reza, em Mashhad, no nordeste do país, principal local sagrado do islamismo xiita no Irã.

Embora Washington afirme ter atingido apenas instalações militares, o governo iraniano acusa os Estados Unidos de também terem atacado estruturas civis com o objetivo de dificultar a participação da população nas cerimônias fúnebres de Khamenei.

Apesar das tensões, os confrontos perderam intensidade desde a noite de quinta-feira. Uma delegação do Catar, que atua como mediadora entre Teerã e Washington, chegou ao Irã na sexta-feira para novas negociações, segundo a imprensa local.

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O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, outro personagem envolvido nos esforços diplomáticos, afirmou na rede X ter pedido ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que preserve uma paz "conquistada a duras penas".

No Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, um dos principais negociadores nas conversas com os Estados Unidos, afirmou que a guerra "jamais terminará com a rendição do Irã".

Já o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr, advertiu que o país responderá a "qualquer ataque" contra sua infraestrutura e voltou a ameaçar ações militares contra Israel.

Com AFP

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