Trump ordena suspensão do comércio dos EUA com a Espanha devido aos gastos com a Otan e ao Irã

Presidente dos EUA também irritou outro aliado da Otan, ‌a Dinamarca, ao reiterar que seu país deveria ‌controlar a Groenlândia

8 jul 2026 - 07h55
(atualizado às 08h11)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou ‌nesta quarta-feira a suspensão imediata de todo o comércio com a Espanha, integrante da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), intensificando as tensões em torno dos gastos com defesa e da guerra contra o Irã, apesar das regras da União Europeia que exigem que as negociações comerciais sejam conduzidas como ⁠um bloco único.

Durante uma cúpula da Otan em Ancara, que os líderes europeus esperavam ‌que pusesse um freio nas divisões dentro da aliança militar, Trump, ao contrário, reacendeu a disputa com a Espanha. Ele também irritou outro aliado da Otan, ‌a Dinamarca, ao reiterar que seu país deveria ‌controlar a Groenlândia. A Dinamarca prometeu defender cada polegada de seu território.

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Foi ⁠a segunda vez que Trump instruiu o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, a suspender o comércio com a Espanha devido à recusa do país em se comprometer com a nova meta de gastos com defesa da Otan, de 5% do PIB. No entanto, após sua primeira promessa nesse sentido, em março, ‌o comércio entre os dois países continuou normalmente.

"A Espanha não concorda com nada, e ‌você não deveria bancá-los", disse Trump ⁠ao secretário-geral da ⁠Otan, Mark Rutte, que mais tarde tentou amenizar a tensão afirmando que a Espanha "deu um grande ⁠passo no ano passado" ao aumentar seus ‌gastos para 2%, embora tenha ‌acrescentado que "ainda há questões que precisamos resolver".

"Não quero fazer nenhum negócio com eles, certo?", disse Trump, voltando-se para Bessent, que respondeu: "Sim, senhor". Trump então acrescentou: "Cuide disso imediatamente. Nem fale com eles. São um caso perdido. São pessoas ⁠ruins... Ganham muito dinheiro conosco, e vamos fazer com que ganhem muito menos."

Gabinete do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que está tratando declarações de Trump como "algo normal" e que não pretende alterar as "excelentes" relações ‌que mantém com Washington
Gabinete do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que está tratando declarações de Trump como "algo normal" e que não pretende alterar as "excelentes" relações ‌que mantém com Washington
Foto: Evan Vucci - Pool / Getty Images

O gabinete do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, que lidera um governo de esquerda minoritário, afirmou em comunicado que está tratando as declarações de Trump como "algo normal" e que não pretende alterar as "excelentes" relações ‌que mantém com Washington.

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O gabinete destacou que a Espanha apresentava um déficit comercial com os EUA e que os laços econômicos são forjados por empresas privadas, ⁠e não por governos, acrescentando que, como parte da união aduaneira e comercial, os membros individuais da UE não podiam ser isolados.

Trump tem expressado repetidamente sua frustração com a Espanha depois que Sánchez, um socialista, se recusou a permitir que os EUA usassem seu espaço aéreo ou bases em seu território para a guerra contra o Irã. Washington opera em conjunto com Madri duas bases militares importantes no sul da Espanha para operações navais e aéreas.

A Espanha é a maior exportadora mundial de azeite de oliva e também vende peças automotivas, aço e produtos químicos para os Estados Unidos, embora analistas considerem que o país seja menos vulnerável às ameaças de punições econômicas de Trump do que outras economias europeias.

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