Nos últimos anos, o bilionário francês Vincent Bolloré construiu um império que reúne emissoras de rádio e TV como Europe1, Canal+ e Cnews. Do outro lado, a esquerda conta com o apoio explícito de outro rico empresário, Matthieu Pigasse, conhecido como o "banqueiro de esquerda", aponta a revista L'Express desta semana.
Nos veículos de Bolloré, interferências editoriais nos veículos, cada vez mais à direita, aconteceram aos poucos e se consolidaram. Lideranças ultraconservadoras encontram palco para se expressar livremente. Já Pigasse tem um longo histórico de investimentos na mídia progressista, como os jornais Libération e Le Monde, além de uma série de sites e revistas independentes, como Les Inrocks.
O apoio ao Partido Socialista também é antigo, mas desde que o PS perdeu influência em meio à ascensão de outras correntes da esquerda, inclusive o partido França Insubmissa (LFI), o empresário tem impulsionado também os veículos simpatizantes à sigla de Mélenchon. O carro-chefe do "combate à extrema direita" de Pigasse, como ele próprio definiu, é a Radio Nova, cuja audiência dobrou de 2025 para 2026.
"Os programas assumiram uma virada militante", uma "escolha deliberada de Pigasse em sua batalha cultural" contra o império de Vincent Bolloré, salienta L'express.
Influência no regime bolivariano da Venezuela
Uma amostra do seu engajamento político ocorreu no início do ano, quando seu banco Centerview Partners conseguiu vencer o contrato de renegociação da dívida da Venezuela, mostra reportagem de capa da Le Point esta semana.
Diante do risco de vitória do Reunião Nacional nas eleições previstas para abril e maio, o próprio Matthieu Pigasse "não descarta" até se candidatar - o que muitos consideram como uma "jogada oportunista para se promover", observa a publicação.