"Volta para tua terra": brasileira denuncia racismo, xenofobia e despejo de abrigo em Portugal

Jennifer Silva diz ter sofrido perseguição após denunciar agressões dentro de instituição de acolhimento à vítimas de violência doméstica

10 jul 2026 - 18h55
Jennifer Silva denunciou racismo, xenofobia e perseguição em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.
Jennifer Silva denunciou racismo, xenofobia e perseguição em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

A brasileira Jennifer Silva, de 36 anos, denunciou ter sido vítima de racismo, xenofobia e perseguição em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica em Aveiro, Portugal. Após apresentar denúncias sobre o funcionamento da instituição, recebeu um ultimato para deixar o local e precisou se mudar com a filha de três anos para uma pensão. As informações são do jornal O Globo.

Natural de Belo Horizonte, Jennifer trabalha como auxiliar de limpeza em Portugal. Ela conta que recebeu um aviso que teria que deixar o abrigo em 7 dias. O prazo terminou em 6 de julho.

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“Recebi uma mensagem dizendo que meus pertences seriam colocados em sacos e enviados para a pensão onde devo ficar por três noites, ao custo de 350 euros (cerca de R$ 2 mil), o equivalente à metade do meu salário”, afirmou Jennifer ao jornal O Globo. Segundo ela, ainda não havia confirmação de quem arcaria com a hospedagem.

Jennifer diz que passou a enfrentar problemas após registrar uma reclamação no Livro de Reclamações, instrumento oficial utilizado em Portugal para formalizar denúncias e que pode resultar em investigações pelas autoridades.

De acordo com a brasileira, durante uma reunião que contou com representantes da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Gênero (CIG), um dos participantes teria afirmado que os direitos humanos seriam destinados apenas aos portugueses.

“Contestei, perguntando que direitos humanos eram esses. Disseram para eu ficar calada. E um dos participantes afirmou que, se eu não estivesse satisfeita, ‘fizesse as malas e voltasse para a minha terra’”, relatou.

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Jennifer foi vítima de racismo e xenofobia. Ela chegou a denunciar episódios de violência física e psicológica praticados por outras mulheres acolhidas na instituição e que, segundo ela, não eram impedidos pelas funcionárias. Para comprovar os fatos, passou a fazer gravações.

“Quando uma das mulheres percebeu que eu estava gravando as agressões contra o próprio filho, tentou me atacar. Em outra ocasião, chegou a arremessar um copo em mim e na minha filha de 3 anos”, contou.

Na denúncia apresentada às autoridades, Jennifer afirmou que as situações de violência ocorriam diante da filha de três anos. "A violência psicológica acontece em frente da minha filha, que grita e me abraça pedindo que parem."

Ela também relata que havia consumo de álcool e drogas entre algumas acolhidas e que passou a sofrer ameaças por se posicionar contra esse comportamento. “Nas festas, o álcool era liberado e as drogas entravam escondidas. Começaram a me ameaçar porque eu não concordava e não fumava”.

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Filha de pai português, Jennifer afirma que também foi alvo frequente de racismo devido à cor da pele. “Durante dois anos disseram que eu era babá da minha filha, que é branca. Desenvolvi depressão, ansiedade e ainda passei a ser chamada de gorda”.

Segundo a brasileira, após as denúncias, ela passou a ser perseguida dentro da instituição. Entre as medidas relatadas estão a proibição de utilizar a cozinha e de receber refeições no local antes do despejo.

O caso repercutiu nas redes sociais e mobilizou brasileiros e portugueses. A pesquisadora portuguesa Carol Taner afirmou ter recebido relatos semelhantes de outras mulheres acolhidas na instituição.

Jennifer chegou ao abrigo em janeiro de 2023, após denunciar violência doméstica praticada pelo pai de sua filha. Ela havia emigrado para Portugal no fim de 2020 e começou a trabalhar como cuidadora de idosos, mas perdeu o emprego após a morte do paciente de quem cuidava e precisou recorrer ao serviço de acolhimento.

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A instituição se apresenta como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) e organização sem fins lucrativos voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos.

Confira um dos relato de Jennifer: 

Fonte: Portal Terra
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