Veja a lista de emendas parlamentares indicadas irregularmente por Valdemar, segundo a PF

Maioria dos municípios é de São Paulo, mas também há cidade do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará; R$ 104 milhões já foram pagos

10 jul 2026 - 17h50
Presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, é suspeito de indicação irregular de emendas parlamentares
Presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, é suspeito de indicação irregular de emendas parlamentares
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

A Polícia Federal apontou ao menos 21 emendas parlamentares destinadas à vários municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará, de maneira irregular pelo  presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Deste total, que somados chegam a cerca de R$ 119 milhões, 15 são cidades paulistanas. 

Conforme a tabela anexada à decisão que determinou a suspensão dos recursos públicos ligados à suposta atuação dele, proferida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, os valores foram destinados para 11 cidades, dentre elas, Mogi das Cruzes, cidade natal e berço político de Valdemar. A municipalidade teria recebido R$ 3 milhões em novembro de 2025, conforme a PF.

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Segundo o portal da Câmara, ele foi chefe de gabinete na prefeitura em 1977, Secretário de Estado na Secretaria Municipal de Obras, Viação e Serviços Urbanos, no mesmo ano até 1980; e diretor presidente, Cia. de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes, entre 1980  e 1983. 

Outros municípios tiveram repasses mais de uma vez, como o caso de Suzano, que recebeu R$ 26.835.199, em junho de 2024. Para Caraguatatuba foram feitos dois repasses no mesmo, que somam R$ 23 milhões. Já Santa Fé do Sul recebeu três, no total de R$ 9.575.004,15, em dezembro de 2024. 

Veja lista completa

  • Mogi das Cruzes (SP) - R$ 3 milhões para saúde - em novembro de 2025;
  • Guaimbé (SP) - R$ 280 mil para turismo - em dezembro de 2025;
  • Macedonia (SP) - R$ 220 mil para turismo - em dezembro de 2025;
  • Cafelândia (PR) - R$ 290 mil para turismo - em março de 2026;
  • Iepê (SP) - R$ 500 mil para turismo - em dezembro de 2025;
  • Ilha Solteira (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo - dezembro de 2025;
  • Morro do Chapéu (BA) - R$ 4,7 milhões da comissão de cidades em dezembro de 2024;
  • Santa Fé do Sul (SP) - R$ 9,5 da comissão de turismo em dezembro de 2024;
  • Itaguaçu da Bahia (BA) - R$ 2,3 da comissão de turismo em dezembro de 2025;
  • Suzano (SP) -  R$ 26,8 milhões da comissão de saúde em junho de 2024;
  • Ubatuba (SP) - 7 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;
  • Rio de Janeiro (RJ) - R$ 6 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;
  • Bebedouro (SP) - R$ 9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Caraguatatuba - R$ 23 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Porto Segura (BA) - R$ 24,9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;
  • Presidente Venceslau (SP) - R$ 220 mil da comissão de turismo em outubro de 2025;
  • Dom Eliseu (PA) - R$ 300 mil da comissão de turismo em outubro de 2025.

De todo esse valor, apenas R$ 104 milhões já teriam sido pagos. 

Como a PF chegou a Valdemar?

A descoberta desses valores é um desdobramento da primeira fase da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado, na qual Mariângela Fialek, ex-assessora de Lira, era um dos alvos. Com isso, Dino determinou a suspensão dos recursos públicos ligados à suposta atuação dele, além da indisponibilidade de bens até o limite deste valor do presidente do PL.

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Presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, é suspeito de indicação irregular de emendas parlamentares
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

Conforme a decisão, à qual o Terra teve acesso, a PF encontrou nos celulares de Mariângela diálogos que figuravam a “existência de um arranjo funcional informal envolvendo servidores de distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”, com planilhas e pedidos de ajustes nos destinos e áreas das emendas.  

As mensagens citam abertamente tratativas em nome de Valdemar -- ou ‘VCN’, como era tratado --, determinando que os montantes máximos fossem alocados em comissões do Turismo e da Saúde. 

“Em ao menos um momento, menciona que tais indicações estariam amparadas por promessa de valores oriundos da cota da Mesa Diretora, o que indicaria articulação em nível superior das estruturas formais da Casa”, aponta o ministro.

Uma planilha anexada na investigação demonstra que essas emendas, somadas, totalizam cerca de R$ 119,9 milhões. 

A suspensão imediata das emendas ligadas ao suposto desvio, sejam elas ainda em empenho, liquidação ou pagamento, conforme Dino, são para a “proteção ao patrimônio público, à moralidade administrativa e às regras que regem a atividade financeira pública”.

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Presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, é suspeito de indicação irregular de emendas parlamentares
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O que diz a defesa de Valdemar

Em nota divulgada nas redes sociais, a defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que recebeu com "supresa" a decisão do ministro Flávio Dino, e que ela parte de "premissas frágeis  inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. 

Além disso, os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, apontam que o presidente do PL nega categoricamente a prática de qualquer crime, pois "não há prova, ou mesmo indício" de que ele tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso. 

“É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente na bancada”. 

A reportagem não localizou até o momento a defesa dos demais citados na investigação.  

Fonte: Portal Terra
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