'Fechou o valor do Valdemar?': Entenda como a PF chegou ao presidente do PL em investigação sobre emendas parlamentares
Mensagens apontam que Valdemar mantinha atuação típica de líder partidário integrante da Câmara, mesmo não sendo deputado
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, entrou na mira da Polícia Federal após mensagens no celular de uma ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) apontarem que ele estaria indicando e redirecionando recursos de ao menos 21 emendas parlamentares.
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A descoberta é um desdobramento da primeira fase da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado, na qual Mariângela Fialek, ex-assessora de Lira, era um dos alvos. Com isso, o ministro Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão dos recursos públicos ligados à suposta atuação dele, além da indisponibilidade de bens até o limite deste valor do presidente do PL.
Conforme a decisão, à qual o Terra teve acesso, a PF encontrou nos celulares de Mariângela diálogos que figuravam a “existência de um arranjo funcional informal envolvendo servidores de distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”, com planilhas e pedidos de ajustes nos destinos e áreas das emendas.
As mensagens citam abertamente tratativas em nome de Valdemar -- ou ‘VCN’, como era tratado --, determinando que os montantes máximos fossem alocados em pastas como o do Ministério do Turismo.
Em 25 de agosto de 2025, o advogado Garigham Amarante Pinto, que ocupa um cargo de natureza especial na Liderança do PL na Câmara, diz à ex-assessora de Lira acreditar que o dirigente do PL vai “jogar nos Turismo os 24”, ou seja, R$ 24 milhões. No entanto, ela pede calma e afirma que passaria o valor.
“Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismos”, responde Amarante Pinto. No dia seguinte, o advogado pergunta: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”, que segundo a PF seria uma provável referência ao presidente do PL.
Mariângela responde que se “puder trocar tudo turismo, ótimo”, e o advogado aponta o valor de R$ 24 milhões. Depois, ele ainda envia uma mensagem temporária com uma lista contendo os municípios e o CNPJ correspondente, boa parte acompanhada do nome Turismo.
“Desse modo, é possível que tal lista esteja relacionada aos R$24 milhões mencionados por GARIGHAM, que supostamente seriam indicações de VALDEMAR COSTA NETO”, diz Dino.
Ainda conforme a investigação, os diálogos entre Mariângela e outra servidora efetiva da Câmara, também lotada na Liderança do PL, relatam dificuldades para “impor alterações às referidas indicações, afirmando, em diversas ocasiões, que Valdemar não aceitaria mudanças nos destinos definidos, mesmo diante de entraves técnicos”.
“Em ao menos um momento, menciona que tais indicações estariam amparadas por promessa de valores oriundos da cota da Mesa Diretora, o que indicaria articulação em nível superior das estruturas formais da Casa”.
A suspensão imediata das emendas ligadas ao suposto desvio, sejam elas ainda em empenho, liquidação ou pagamento, conforme Dino, são para a “proteção ao patrimônio público, à moralidade administrativa e às regras que regem a atividade financeira pública”.
A reportagem aguarda posicionamento da defesa de Valdemar e dos demais investigados a respeito das suspeitas levantadas pela PF.
Operação Transparência
Em 12 de dezembro do ano passado, a ex-assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, foi um dos alvos da operação,que apurava irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. Ela era tida como braço-direito do deputado e foi assessora técnica da Presidência da Câmara durante a gestão dele.
A PF indica que ela exercia controle de "indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de provável organização criminosa voltada para a prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional".
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