O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou Gadi Eisenkot de formar o novo governo. Com prazo de 28 dias para montar a coalizão, o líder opositor reúne o apoio de 67 dos 120 deputados do Parlamento, graças à histórica adesão de partidos árabes, superando os 46 apoios de Benjamin Netanyahu. Em meio a graves conflitos armados e tensões institucionais, Herzog e Eisenkot enfatizaram a urgência de um governo de união, enquanto Netanyahu rejeita alianças com legendas árabes.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou oficialmente Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, de formar um novo governo após as eleições de 27 de outubro.
A cerimônia ocorreu neste domingo (8) na residência presidencial, em Jerusalém, e teve transmissão ao vivo.
Nos termos da Lei, Eisenkot terá 28 dias para formar uma nova administração. Caso seja necessário mais tempo, o presidente pode conceder uma prorrogação de até 14 dias.
"Espero que Gadi Eisenkot faça todo o possível para formar um governo que represente o país inteiro: tanto aqueles que o apoiaram quanto os que não o apoiaram", declarou o presidente durante o evento.
Segundo Herzog, chegou o momento de "fazer todo o possível pela unidade do povo e de buscar um governo que seja o mais eficaz e estável possível para Israel".
O chefe de Estado citou os "inumeráveis e enormes desafios" do país, como os problemas bélicos com os territórios vizinhos.
"O Irã não perde tempo com suas ameaças: precisamos promover uma perspectiva regional para depois da guerra; impulsionar o Plano Trump para Gaza e buscar negociações com o Líbano", observou.
O posicionamento de Herzog é compartilhado por Eisenkot.
"Israel encontra-se em estado de emergência: há frentes de guerras ativas e nem todos os objetivos foram alcançados", disse Eisenkot, antes de prosseguir: "Estamos em um dos momentos mais frágeis da história da democracia israelense, devido à deslegitimação das instituições estatais".
"Por esse motivo, há uma necessidade urgente de uma nova liderança que inspire confiança", frisou o opositor do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Eisenkot também reforçou a importância de obter maioria no Knesset, o Parlamento israelense, durante o novo governo.
"Se os membros do [partido] Likud e do Sionismo Religioso realmente acreditam que este é o momento para a unidade, como afirmaram perante o presidente, então não consigo imaginar qualquer motivo pelo qual não deveriam manifestar seu apoio a um governo sob minha liderança", concluiu.
Herzog comunicou, ontem, Eisenkot que iria encarregá-lo de formar um novo governo.
A decisão foi tomada na esteira das eleições de 27 de outubro, que não produziram uma maioria clara no Parlamento.
O "bloco da mudança", liderado por Eisenkot, obteve 48 dos 120 assentos no Knesset nas eleições, menos do que o mínimo de 61 necessário para garantir maioria. No entanto, durante as consultas com Herzog, os partidos árabes, que alcançaram o melhor resultado de sua história e conquistaram 19 cadeiras, manifestaram apoio ao general, que passou a contar com o aval de 67 parlamentares eleitos.
Netanyahu, por sua vez, recebeu o apoio de 46 membros do Knesset, enquanto uma aliança ultraortodoxa que participa do atual governo e elegeu sete deputados, a Judaísmo Unido da Torá (UTJ), se absteve.
Em vídeo divulgado no sábado (7), Netanyahu instou o "bloco da mudança" a formar um "governo de união nacional" que exclua os partidos árabes, definidos pelo primeiro-ministro como "apoiadores do terrorismo".