Eisenkot assume desafio de formar governo em meio à crise política israelense

Com a missão oficialmente entregue pelo presidente israelense Isaac Herzog neste domingo (8), o líder da oposição Gadi Eisenkot entra na fase decisiva das negociações para tentar formar o próximo governo de Israel. O ex-chefe do Estado-Maior, de 66 anos, terá agora 28 dias para reunir uma maioria parlamentar em um cenário de forte fragmentação política.

8 nov 2026 - 14h54
Resumo
Gadi Eisenkot assumiu a missão de formar um governo de estabilidade em Israel diante do impasse eleitoral e dos desafios do pós-guerra. Apoiado pelo presidente Herzog, o líder oposicionista busca uma ampla coalizão nacional que visa superar a crise democrática do país. Para alcançar a maioria parlamentar necessária, Eisenkot tenta atrair siglas governistas rivais, como o Likud, além de negociar alianças com legendas ultraortodoxas e partidos árabes israelenses, apesar da forte sensibilidade política.

Durante a cerimônia na residência presidencial, em Jerusalém, Herzog afirmou que Israel precisa de um governo estável capaz de responder aos desafios do pós-guerra e à nova conjuntura internacional. O presidente destacou a necessidade de avançar nos processos diplomáticos na região, implementar o plano de 20 pontos proposto pelo presidente americano Donald Trump para a Faixa de Gaza e lidar com o que chamou de "nova realidade política" nos Estados Unidos.

Após quase duas semanas de negociações desde as eleições legislativas de 27 de outubro, que não produziram um vencedor claro, Eisenkot demonstrou disposição para construir uma ampla coalizão nacional. O líder oposicionista chegou a estender a mão ao Likud, partido do primeiro-ministro em fim de mandato Benjamin Netanyahu, e também ao Partido Sionista Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich.

Publicidade

Segundo Eisenkot, "o sucesso está ao alcance das mãos". Ele afirmou estar determinado a fazer todo o possível para que Israel "saia vitorioso" da atual crise política. "Se os membros do Likud e do Partido Sionista Religioso acreditam sinceramente que é o momento de buscar a unidade, não vejo motivo para que não apoiem um governo liderado por mim e baseado nos princípios que apresentei", declarou.

O ex-militar classificou o momento atual como um dos mais delicados da história do país. "Estamos passando por um dos períodos mais críticos que a democracia israelense já vivenciou", disse.

Para alcançar a maioria necessária no Parlamento, Eisenkot busca ampliar sua base de apoio. Na sexta-feira, sinalizou abertura para uma aliança até então considerada improvável com os partidos ultraortodoxos, que controlam 13 cadeiras na Knesset. Também pode contar com o respaldo dos dois principais partidos árabes israelenses, a Lista Unificada e o Raam, que juntos conquistaram 19 assentos nas eleições.

A eventual participação dos partidos árabes em uma coalizão de governo, porém, é vista como um desafio político sensível. Em uma sociedade ainda marcada pelo trauma dos ataques de 7 de outubro de 2023, a aproximação com os representantes da minoria árabe, que corresponde a cerca de 20% da população israelense, pode provocar resistência entre parte do eleitorado judeu.

Publicidade

As próximas semanas serão decisivas para determinar se Eisenkot conseguirá traduzir os apelos por unidade nacional em uma maioria parlamentar capaz de encerrar o impasse político e abrir uma nova etapa na liderança de Israel.

Com RFI

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações