Quatro novos bispos de um grupo católico dissidente dedicado à antiga missa em latim foram ordenados no sudoeste da Suíça nesta quarta-feira, desafiando um apelo do papa Leão 14.
Milhares de pessoas compareceram para assistir à ordenação dos bispos da Fraternidade São Pio 10 na pequena aldeia alpina de Écône, dois dias após um apelo pessoal do pontífice.
"Eu imploro a vocês e peço de todo o coração: por favor, voltem atrás!", escreveu Leão em uma carta na segunda-feira a Davide Pagliarani, superior geral da fraternidade, instando o grupo a não realizar o que ele descreveu como um "ato cismático".
Somente o papa pode autorizar a consagração de novos bispos, a fim de manter os laços da Igreja com os 12 apóstolos de Jesus, considerados os primeiros sacerdotes e bispos.
O Vaticano alertou que a ordenação, que foi transmitida nas redes sociais, acarretaria excomunhão. A consagração sem o consentimento papal acarreta excomunhão automática tanto para a pessoa consagrada quanto para o bispo que conduz a cerimônia.
Um grupo ultratradicionalista, a Fraternidade São Pio 10 nega os ensinamentos centrais do Concílio Vaticano 2º, um encontro histórico de bispos no Vaticano na década de 1960 que buscou várias reformas para a Igreja mundial.
A fraternidade, que afirma contar com 733 padres em todo o mundo, mantém há muito tempo relações tensas com o Vaticano.
Seu falecido fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem a permissão do então papa João Paulo 2º.
Bento 16, sucessor de João Paulo II, buscou retomar o diálogo e revogou as quatro excomunhões restantes.
A atual liderança anunciou em fevereiro que planejava ordenar novos bispos em julho, sem a aprovação do Vaticano, alegando a necessidade de mais prelados para liderar a sociedade.