Os Estados Unidos anunciaram sanções econômicas contra empresas e cidadãos brasileiros supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), marcando a primeira medida desse tipo desde que Washington classificou a facção e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
De acordo com Gene Lange, subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, as medidas representam um "passo da administração do presidente Donald Trump para enfrentar e reconhecer a crescente presença de atividades ilícitas geradoras de receita por parte do Primeiro Comando da Capital dentro de suas fronteiras".
"Não se pode permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade", acrescentou o funcionário, em declaração citada pela imprensa brasileira.
A decisão de classificar o PCC, originário do estado de São Paulo, e o CV, surgido no Rio de Janeiro, como organizações terroristas foi anunciada no final de maio. A medida ocorreu logo após Trump receber, na Casa Branca, o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL).
A medida foi contestada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou que essa caracterização não contribui para o combate ao crime organizado e representa uma "ameaça à soberania".
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, as empresas identificadas por suposto envolvimento em uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC são Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Victory Trading. Também foram sancionados Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, por supostos vínculos com a organização. .