"Vemos os problemas. Reconhecemo-los e estamos a lidar com eles. Mas, sem dúvida, garantiremos a segurança do país e dos nossos cidadãos", afirmou Putin durante congresso do seu partido, o Rússia Unida, realizado antes das eleições parlamentares de setembro.
"Sem dúvida, superaremos todos os desafios que enfrentamos hoje, incluindo ataques terroristas ao nosso território e infraestruturas", acrescentou, referindo-se aos ataques de Kiev em solo russo.
Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou a campanha de ataques dentro da Rússia e em regiões ucranianas controladas pelos russos, em retaliação aos bombardeios de Moscou - que têm causado baixas diárias desde o início da ofensiva russa, lançada em fevereiro de 2022.
Kiev tem como alvo específico as infraestruturas energéticas para cortar as receitas provenientes de hidrocarbonetos, que permitem ao Kremlin financiar seu esforço de guerra. O presidente russo discursou poucas horas depois de um ataque "massivo" de drones ucranianos à região de Krasnodar, que deixou uma pessoa morta e provocou um incêndio na grande refinaria de Slavyansk-na-Kubani, segundo o governador regional Veniamin Kondratyev.
Crise de combustível
Em 18 de junho, um ataque a uma grande refinaria perto de Moscou provocou explosões impressionantes e um incêndio. A Península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014, foi colocada em "estado de emergência" na sexta-feira devido a ondas de ataques de Kiev, que forçaram as autoridades a suspender a venda de combustível à população e a implementar cortes de energia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou no domingo que esses ataques "significam menos recursos para a máquina de guerra russa e mais um passo em direção à paz", em uma publicação nas redes sociais na qual assumiu a responsabilidade pelos ataques à refinaria de Slavyansk-na-Kubani e à região de Yaroslavl, ao norte de Moscou.
Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para encerrar o conflito estão atualmente paralisados.
Os ataques da Ucrânia têm causado escassez de combustível em algumas áreas, levando a filas e ao racionamento nos postos de gasolina. "Continuamos com operações que enfraquecem a capacidade da Rússia de travar esta guerra", ressaltou Zelensky, observando que as refinarias alvo dos ataques estavam localizadas a aproximadamente 300 quilômetros e 700 quilômetros do território ucraniano.
Imagens não verificadas que circularam nas redes sociais mostram um grande incêndio na refinaria, que tem capacidade para cerca de 100 mil barris por dia e produz combustível tanto para o mercado russo quanto para exportação.
O governador da região de Yaroslavl anunciou restrições temporárias de tráfego em certas estradas que levam à capital.
Já a refinaria de Slavyansk-na-Kubani é uma das maiores do sul da Rússia e integra o grupo "Slavyansk EKO". Localizada perto da Península da Crimeia, anexada pela Rússia, a instalação já foi alvo de ataques ucranianos em diversas ocasiões.
Escalada de ataques
Um total de 213 drones ucranianos foram interceptados em mais de uma dezena de regiões russas, incluindo a região de Moscou, entre a noite de sábado e o domingo, segundo o Ministério da Defesa.
Conforme um relatório recente da Energy Intelligence, uma empresa de pesquisa do setor de energia sediada nos EUA, cerca de um terço da capacidade de refino de petróleo da Rússia foi afetada devido aos ataques ucranianos.
A Rússia, por sua vez, continua atacando a Ucrânia quase diariamente. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas entre a noite de sábado e o domingo durante bombardeios russos à capital, Kiev.
Com Reuters e AFP