"Desde 24 de junho, cerca de mil mortes adicionais - números ainda não consolidados - foram observadas em comparação com os óbitos dos meses anteriores", informou a agência.
Mais de 1.200 mortes foram registradas apenas no dia 24, e mais de 1.400 nos dois dias seguintes, contra uma média de 900 a 1.000 mortes diárias em abril e maio. A maioria das vítimas, cerca de 85%, tinha mais de 65 anos. Outro dado que preocupa é o aumento de cerca de 40% nas mortes em domicílio, especialmente na região de Paris.
Apesar da queda das temperaturas neste domingo, os efeitos tardios do calor seguem pressionando o sistema de saúde e levantam temores de aumento da sobremortalidade. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, já havia alertado no sábado para um número de mortes "acima do normal".
Pressão por explicações e embate político
Diante desse cenário, a líder do partido Os Ecologistas, Marine Tondelier, pediu neste domingo "que os fatos sejam totalmente esclarecidos" sobre o que chamou de um "balanço humano muito pesado" e defendeu a apuração de responsabilidades políticas. "Alguns deverão tirar as consequências", afirmou.
Em declarações nas redes sociais, Tondelier criticou a falta de preparo das autoridades diante do aquecimento climático e classificou como "incompetente" a redução de políticas públicas voltadas à adaptação, como o Fundo Verde e programas de renovação térmica. Para ela, a crise revela que "a inação climática, a solidão e a precariedade matam".
As críticas foram rebatidas pelo governo. O presidente Emmanuel Macron destacou o "grande trabalho" realizado nos últimos anos na adaptação ao aquecimento climático, embora tenha reconhecido o caráter excepcional do fenômeno. "Não se adapta a um pico sem equivalente na Europa e na nossa história recente", disse.
Segundo as autoridades sanitárias, o balanço ainda deve aumentar nos próximos dias, já que os efeitos do calor extremo podem levar tempo para se manifestar.
Com AFP