No ano passado, embora o evento tivesse sido proibido, mais de 200 mil pessoas participaram da marcha como um ato de resistência - superando, em muito, as edições anteriores, que normalmente atraíam cerca de 35 mil pessoas. O número de participantes este ano foi menor do que em 2025, mas superior ao de edições anteriores.
Agitando bandeiras pequenas e grandes com as cores do arco-íris, muitas pessoas, a maioria jovens, enfrentaram o sol forte que atinge a maior parte da Europa nestes dias de onda de calor histórica no continente. "Acho que a situação está melhorando gradualmente [para as pessoas LGBT+], devido à mudança de governo", disse à AFP Petra Toth, de 18 anos, moradora de uma pequena cidade do sul do país. Ela viajou à capital para participar de sua primeira Parada do Orgulho LGBT+, ao lado da namorada.
"No ano passado, vocês marcharam: centenas de milhares de pessoas de 30 países. Aquela marcha não apenas fez história; ela ajudou a mudar a história", disse a Comissária Europeia para a Igualdade, Hadja Lahbib, em uma coletiva de imprensa no sábado, ao lado do prefeito ecologista de Budapeste, Gergely Karácsony. "A Parada de hoje é a prova mais recente desse novo começo. Ventos de mudança estão soprando por esta grande nação, e todos nós podemos senti-los", acrescentou.
Os organizadores da manifestação decidiram manter a marcha apesar do calor intenso, mas aconselharam pessoas vulneráveis a não comparecerem. Com as temperaturas em Budapeste atingindo 38°C, segundo o site do governo húngaro, os organizadores pediram que pessoas vulneráveis acompanhassem o desfile online.
Água gratuita foi distribuída, mas os organizadores solicitaram que os participantes levassem suas próprias garrafas.
Posição do novo chefe de Governo
A vitória eleitoral do novo primeiro-ministro conservador, Peter Magyar, que pôs fim ao governo de Orbán, gerou um imenso alívio na comunidade LGBT+ do país. No entanto, ele ainda não tomou medidas concretas para restaurar direitos que foram sendo gradualmente corroídos pelo ex-premiê em nome da "proteção das crianças".
Durante sua campanha eleitoral, Peter Magyar evitou abordar a questão dos direitos LGBT+. Desde sua posse, porém, ele afirmou que seu governo não ditará como os húngaros devem viver suas vidas. "Deixamos claro que, em nossa visão, todos são livres para amar quem quiserem e viver com quem quiserem, desde que não violem a lei", disse ele no início deste mês, ao ser questionado sobre direitos de casamento e adoção para casais do mesmo sexo.
"Se houver demanda para abordarmos essas questões social e politicamente sensíveis, estamos abertos a discuti-las", acrescentou.
À espera da revogação de leis anti-LGBT+
Embora a polícia tenha informado à AFP que não havia "fundamentos" para proibir a Parada e os promotores tenham retirado as acusações criminais contra os organizadores do evento do ano passado, medidas discriminatórias permanecem em vigor. No final de abril, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que a legislação anti-LGBT+ adotada em 2021 violava as regras do bloco.
Na semana passada, várias organizações de direitos humanos divulgaram uma declaração conjunta exigindo (pedindo para) Magyar agir e revogar todas as leis promulgadas contra as pessoas LGBT+. Citando uma pesquisa recente do instituto Median, que mostra que 68% dos húngaros apoiam tanto o casamento quanto a adoção por casais do mesmo sexo, a Anistia Internacional da Hungria solicitou (pediu para) o governo estabelecer direitos iguais para esses casais.