O governo acionou o "Plan Blanc", o protocolo hospitalar de emergência do país, e mobilizou profissionais da reserva de saúde para reforçar as equipes. A onda de calor está se deslocando para o leste, e um "fim gradual do fenômeno até a noite de domingo" é esperado, segundo o gabinete do primeiro-ministro.
O calor agora afeta mais intensamente outros países, como Bélgica, Itália e Alemanha, onde já foram registrados recordes de temperatura acima de 40°C, como ocorreu na França nesta semana.
Na manhã de sábado, 37 departamentos do nordeste da França permaneciam em alerta vermelho devido ao fenômeno. "Embora a onda de calor em si esteja recuando, a pressão que ela exerce sobre o sistema de saúde ainda está por vir", alertou Lecornu. "Um nível elevado de atividade persistirá por vários dias devido ao efeito retardado na saúde, como desidratação, descompensação de doenças preexistentes e hospitalizações tardias."
Pressão nos hospitais por vários dias
O sistema de saúde já registra um pico de atividade ligado à onda de calor, que "não diminui apenas porque o tempo muda", observa a nota do primeiro-ministro. Na sexta-feira (26), os prontos-socorros receberam 36% mais pacientes do que em um dia normal. Além disso, o número de ligações para os serviços de emergência dobrou para casos relacionados a paradas cardíacas, destacou o governo.
A taxa de internação após o atendimento na emergência permanece estável em cerca de 20% no geral, chegando a mais de 50% para pacientes com 75 anos ou mais.
O gabinete do primeiro-ministro também relatou um "aumento no número de mortes, principalmente em domicílio, relacionado ao pico tardio do calor e ao isolamento de certos idosos ou pessoas vulneráveis durante o evento". Números específicos não foram divulgados.
As quatro unidades do SAMU (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) que atendem Paris, Hauts-de-Seine, Seine-Saint-Denis e Val-de-Marne, regiões da zona metropolitana, registraram um aumento de 80% no volume de chamadas na última semana, segundo dados publicados no site da rede de hospitais públicos de Paris.
'Crise sanitária'
Diante dessa situação, Antoine Alibert, vice-prefeito de Paris responsável pela saúde, afirmou que os hospitais parisienses enfrentam uma saturação "excepcional". "Estamos em meio a uma crise sanitária. Trata-se de uma onda de calor excepcional e extrema", agravada por "um pico de poluição por ozônio", acrescentou.
Apesar da ativação de protocolos específicos para esses casos, a situação permanece crítica, conforme explicou o médico de emergências Jean-François Cibien, vice-presidente da Samu-Urgences de France. "A situação já estava tensa antes desta onda de calor. Mas hoje, nos serviços de emergência e, especialmente, no SAMU, a pressão é intensa. Alguns centros registram um aumento de mais de 50% no volume de chamadas, somado a uma escassez de pessoal que prejudica a missão deste serviço público", observou.
Na sexta-feira, durante uma coletiva de imprensa no final da tarde, o diretor da Agência Regional de Saúde da Île-de-France adotou uma postura mais cautelosa em relação à ideia de "saturação" hospitalar na região. "É difícil afirmar, neste momento, que a capacidade hospitalar esteja totalmente saturada", declarou Denis Robin. "No entanto, tenho certeza de que teríamos atingido um ponto crítico durante o fim de semana caso não houvesse o 'Plan Blanc' regional."
Mobilização de reserva da saúde
O Diário Oficial publicou neste sábado um decreto autorizando a mobilização da reserva de saúde, medida decidida pelo governo no início da semana, por um mês e renovável por mais um. Essa reserva é composta por profissionais de saúde voluntários (médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, técnicos em radiologia, etc.) que podem ser mobilizados como reforço durante crises sanitárias excepcionais.
Em meio ao calor intenso, a população é orientada a repousar, evitar atividades esportivas, manter-se hidratada e prestar atenção especial a crianças e idosos. Os profissionais alertam para os riscos das altas temperaturas para os jovens, apontando "vários casos de parada cardiorrespiratória entre jovens que realizam esforço físico", destaca Jean-François Cibien.
Além de sobrecarregar os hospitais, essa onda de calor também evidencia a vulnerabilidade das habitações. A Europa enfrentará "inevitavelmente" novos episódios de calor extremo no futuro, alertou na quarta-feira o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Com AFP e Reuters