Falha no motor da Starship pode afetar objetivos da missão lunar da Nasa

29 set 2026 - 11h16
Resumo
Uma falha no motor da Starship durante seu 14º voo de teste encurtou a missão da SpaceX e ameaça o cronograma da Nasa para levar astronautas à Lua até 2028 no programa Artemis. Como a espaçonave depende desse sistema de propulsão para os pousos lunares, eventuais atrasos em reparos podem comprometer os planos da agência espacial americana na corrida contra a China e favorecer a rival Blue Origin, já que a Nasa pretende utilizar o módulo tripulado que estiver pronto primeiro.

A falha no ‌motor da Starship, que quase impediu a estreia orbital da espaçonave de última geração da SpaceX em seu 14º voo de teste não tripulado, pode dificultar a capacidade da Nasa de cumprir seu cronograma para missões de astronautas à Lua.

A Starship, projetada em parte para transportar grandes cargas úteis ao espaço, é uma das duas naves que disputam o título de primeira nave que a Nasa utilizará já em 2028 para levar seres humanos à ⁠Lua e trazê-los de volta em segurança, um feito alcançado pela última vez em 1972, no final da era Apollo.

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Embora ‌a Starship tenha cumprido vários objetivos-chave em seu último lançamento de teste, realizado na segunda-feira no Texas, a missão foi encurtada em várias horas devido a uma falha em seu sistema de propulsão.

Apesar da desativação inesperada de ‌um de seus três motores Raptor principais após a separação da ‌Starship do foguete impulsionador do estágio inferior, os controladores de voo prosseguiram com o envio da espaçonave à ⁠órbita para seu primeiro lançamento comercial de satélite.

Determinar o que causou a falha no motor continua sendo fundamental para os resultados financeiros da SpaceX. Mas os riscos são potencialmente maiores para a Nasa, já que um veículo de pouso lunar da Starship dependeria do mesmo sistema de propulsão para transportar astronautas pelo espaço de e para a superfície lunar.

O quanto essa falha no motor representará um revés para o progresso do desenvolvimento da Starship depende se ‌ela for "uma falha pontual de uma única peça" ou se apontar para um problema de projeto mais amplo que exija ‌atualizações "em toda a frota", disse Dean ⁠Sladen, engenheiro aeroespacial da Accu ⁠Components.

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"Qualquer reparo no motor que atrase os próximos voos, incluindo a tentativa planejada de capturar a nave com os braços da ⁠torre de lançamento (após a reentrada), prejudica esse cronograma", disse ele.

A Nasa ‌e a SpaceX não responderam imediatamente ‌aos pedidos de comentário da Reuters.

Um atraso mais prolongado representaria não apenas um revés maior para as ambições comerciais da SpaceX de expandir rapidamente sua rede de satélites de banda larga Starlink, mas também para seu papel fundamental no programa lunar Artemis da Nasa.

"A verdadeira pressão é a Lua. A Nasa precisa da ⁠Starship para a Artemis 3", disse Sladen, referindo-se a uma missão de teste em órbita terrestre prevista para já no próximo verão (no Hemisfério Norte) como um voo de ensaio para o primeiro pouso lunar tripulado do programa.

Problemas com o motor Raptor e o sistema de propulsão contribuíram para vários contratempos anteriores da Starship, incluindo um motor que não acendeu conforme planejado durante o 12º voo da ‌Starship, em maio. Os motores movidos a metano estão entre os componentes mais complexos e caros do foguete.

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Durante alguns voos anteriores, a SpaceX cancelou os planos de testar a ignição do motor Raptor no espaço. Mas todos ⁠os motores foram acionados com sucesso durante a ascensão no 13º voo da Starship, em julho.

A SpaceX , empresa fundada por Elon Musk perto de Los Angeles em 2002 e que recentemente abriu seu capital, está competindo com a Blue Origin, empresa rival de foguetes do também empresário Jeff Bezos, para inaugurar uma era de exploração lunar no âmbito do programa Artemis da Nasa.

Embora a SpaceX tenha sido originalmente contratada para fornecer o primeiro módulo de pouso lunar tripulado para o Artemis, o chefe da agência espacial dos EUA, Jared Isaacman, afirmou em abril que a Nasa optaria pelo módulo que estivesse pronto para voar primeiro. A Nasa considerou essa concorrência adicional saudável para o progresso, tendo em vista os crescentes atrasos no programa de voos de teste da Starship.

A Nasa tem como meta oficial levar astronautas de volta à superfície da Lua até 2028 — uma meta amplamente considerada excessivamente ambiciosa — para chegar lá antes da China, que planeja um pouso tripulado na Lua até 2030.

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