Associação suspende coleta de assinaturas para referendo sobre cidadania italiana

Cidadãos no exterior têm relatado problemas técnicos para se inscrever

28 set 2026 - 14h24
(atualizado às 14h46)
Resumo
A associação Natitaliani suspendeu a coleta de assinaturas para o referendo que visava revogar restrições à cidadania italiana por direito de sangue. A meta de 500 mil adesões foi interrompida com menos de 1,5 mil firmas devido a falhas técnicas no acesso digital enfrentadas por cidadãos no exterior. A consulta popular pretendia anular a retroatividade da reforma de 2025 e a exigência de ascendentes exclusivamente italianos, mantendo, contudo, o limite geracional até a segunda geração.

A associação Natitaliani anunciou nesta segunda-feira (28) a suspensão por tempo indeterminado da coleta de assinaturas para promover um referendo para revogar aspectos da lei que restringiu as possibilidades de transmissão da cidadania italiana por direito de sangue.

Campanha precisava coletar 500 mil assinaturas em prol de referendo
Campanha precisava coletar 500 mil assinaturas em prol de referendo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A campanha havia sido lançada 10 dias atrás, após a proposta ser protocolada na Suprema Corte de Cassação da Itália, em Roma, e mirava reunir pelo menos 500 mil firmas, o mínimo exigido para se realizar uma consulta popular no país. Até a manhã desta segunda, no entanto, a iniciativa tinha a assinatura de apenas 1.476 pessoas, apenas 0,30% do total necessário.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da Natitaliani, entidade que defende os direitos de ítalo-descendentes, Daniel Taddone, afirmou que muitos cidadãos residentes no exterior não estavam conseguindo acessar as "ferramentas digitais necessárias para exercer os próprios direitos".

Entre os problemas relatados estão dificuldades para ativar o Spid, espécie de senha única para serviços online dos órgãos públicos italianos, incongruências nos dados das listas eleitorais e documentos não reconhecidos pelo sistema.

"Diante das centenas de denúncias recebidas, junto com o conselho diretivo da Natitaliani, considerei meu dever tomar uma decisão imediata: suspender a coleta de assinaturas para o referendo sobre a cidadania", disse Taddone no Instagram.

"Antes de pedir para os cidadãos participarem, devemos ter certeza de que eles realmente têm a possibilidade de fazer isso. E hoje, para a grande maioria dos italianos no exterior, essa possibilidade não existe", acrescentou.

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Não há prazo definido para a retomada da coleta de assinaturas, porém a associação garante que não renunciou a seu objetivo.

Entenda

A reforma na cidadania foi instituída em março de 2025 por um decreto editado pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e convertido em lei dois meses depois.

A medida limitou o acesso à cidadania por direito de sangue (jus sanguinis), permitindo sua transmissão apenas por ascendentes de primeiro ou segundo grau (pais ou avós) que sejam exclusivamente italianos ? ou que fossem no momento da morte.

A proposta de referendo busca cancelar a dita retroatividade do decreto, que atinge inclusive os ítalo-descendentes nascidos antes de sua entrada em vigor, desde que eles não tenham iniciado o processo de reconhecimento da cidadania antes da mudança nas regras.

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Além disso, pede a revogação da exigência de que os pais ou avós sejam exclusivamente italianos para transmitir a cidadania a seus descendentes.

Com isso, seriam beneficiados os filhos e netos de italianos com outra cidadania, bem como os ítalo-descendentes que não haviam apresentado o pedido de reconhecimento antes da reforma de março de 2025. O limite geracional, no entanto, não seria alterado.

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