Ex-apresentador de TV vira rei em Uganda após disputa pela sucessão

29 set 2026 - 12h12
Resumo
O ex-apresentador de TV Edward Rukidi Kijanangoma foi coroado o 13º rei de Tooro, em Uganda, adotando o nome de Edward Rukidi Nyabongo I. A cerimônia encerrou um impasse sucessório após a morte de seu primo, o rei Oyo Nyimba, falecido aos 34 anos vítima de câncer. Embora a mãe do monarca alegasse que o filho deixou um herdeiro não revelado, o conselho do clã real, apoiado pelo governo central, optou pelo primo para liderar o reino, que atua como símbolo cultural sem poderes políticos formais.

Um ‌ex-apresentador de noticiário de TV foi coroado rei do Reino de Tooro, em Uganda, na terça-feira, tornando-se o 13º monarca do povo Batooro em uma cerimônia de coroação repleta de rituais que pôs fim a uma disputa pela sucessão.

Edward Rukidi Kijanangoma sucedeu ao rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, cuja morte no mês passado, vítima ⁠de câncer aos 34 anos, desencadeou uma disputa, com sua mãe alegando que um ‌filho até então não revelado tinha direito ao trono.

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Uganda é uma república constitucional governada por um presidente eleito, mas quatro reinos pré-coloniais permanecem como símbolos influentes de identidade ‌e patrimônio, apesar de não terem nenhum poder ‌político.

Um comitê de 21 membros do clã real Babiito escolheu Kijanangoma, de 56 ⁠anos, que é primo de Oyo Nyimba.

Uma fonte a par da disputa pela sucessão disse à Reuters que o governo central de Uganda impôs essa decisão apesar das objeções da mãe.

Kijanangoma assumiu o novo nome real Edward Rukidi Nyabongo I em uma cerimônia tradicional que incluiu o abate de um touro e a aspersão de sangue ‌de galinha na capital de Tooro, Fort Portal.

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Nyabongo I caminhou até o Palácio de Karuziika ‌entre meia-noite e as 3h ⁠da manhã, antes ⁠de participar de uma batalha simulada pela coroa.

"Temos a grande tarefa de proteger nossa cultura, nossas ⁠tradições e costumes, bem como a boa conduta ‌entre nosso povo", disse Nyabongo ‌I em seu discurso de posse, comprometendo-se a mobilizar seus súditos para proteger o meio ambiente.

REI CRIANÇA

Oyo Nyimba morreu nos Estados Unidos em 27 de agosto, enquanto recebia tratamento para um angiossarcoma, um tipo agressivo de câncer.

Ele chamou a ⁠atenção do mundo em 1995, quando foi entronizado aos 3 anos de idade após a morte de seu pai. As imagens do rei criança com vestes reais e uma coroa causaram fascínio generalizado.

Ex-colegas de Nyabongo I na emissora estatal UBC, onde ele trabalhava como âncora de notícias e ‌editor, o descrevem como humilde e simples.

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"Todos em Fort Portal estão felizes por causa deste novo rei. Estamos nos preparando. As mulheres estão passando suas masukas. Os homens ⁠estão passando seus kanzus", disse Elizabeth Kengonze, moradora de Tooro, na véspera do evento, referindo-se às roupas tradicionais.

A coroação ocorreu apesar das objeções da mãe de Oyo Nyimba, Best Kemigisa, e de sua irmã, a princesa Ruth Komuntale. Elas afirmam que o falecido rei deixou um filho pequeno e um testamento que o nomeava como herdeiro.

Oyo Nyimba não era casado e não se sabia publicamente que tivesse filhos. O primeiro-ministro do reino mencionou pela primeira vez a existência de uma criança em um comunicado anunciando sua morte.

Kamurasi disse que o clã não tinha conhecimento de nenhuma criança e seguiu os costumes de Tooro na escolha de um sucessor.

"A criança que eles alegam existir não é conhecida", declarou ele à imprensa na semana passada.

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