Milei desembarca em Paris para atrair investimentos em minerais raros e reforçar pauta das Malvinas

O presidente da Argentina, Javier Milei, inicia nesta terça-feira (29) uma visita a Paris que se estenderá até o fim da semana. Na agenda estão a participação em um fórum de negócios voltado a investidores e um encontro anunciado como privado com o presidente francês, Emmanuel Macron.

29 set 2026 - 11h38
Resumo
Em visita a Paris, Javier Milei busca atrair investimentos para a Argentina, com foco no lítio e na compra de submarinos, além de apresentar seus resultados fiscais. Alinhado ideologicamente a Donald Trump e crítico à União Europeia, o presidente argentino aproveita a viagem para reforçar pela via diplomática a reivindicação sobre as Ilhas Malvinas, encorajado por recentes sinais de Washington sobre rever a neutralidade na disputa histórica com o Reino Unido.

Na capital francesa, Milei chega com o objetivo de atrair investimentos para a economia argentina. A visita coincide com a realização da "Argentina Week", evento voltado ao mercado financeiro, cuja primeira edição ocorreu em março deste ano, em Nova York, nos Estados Unidos, país de seu aliado, o presidente Donald Trump.

Com sua política de redução do Estado, simbolizada pela motosserra que se tornou marca registrada de sua campanha, Milei conseguiu gerar superávit fiscal e reduzir a inflação. Quando assumiu a Presidência, em 2023, a inflação anual ultrapassava os 200%; atualmente, gira em torno de 30%.

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Apesar da queda expressiva, o índice continua elevado para os padrões das economias mais desenvolvidas. Além disso, os resultados vieram acompanhados de custos significativos em termos de crescimento econômico e emprego.

Interesse francês no lítio argentino

A Argentina também busca capitalizar suas vantagens estratégicas no setor dos minerais críticos, que desperta o interesse de investidores franceses. O país possui reservas abundantes de lítio, utilizado na fabricação de baterias utilizadas em veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.

A França é atualmente o sétimo maior investidor estrangeiro na Argentina, e os investimentos do país no setor cresceram de forma significativa ao longo do último ano. 

Ao lado de Chile e Peru, a Argentina domina o chamado "triângulo do lítio", região que concentra algumas das maiores reservas mundiais desse recurso estratégico. Sendo esta uma vantagem geopolítica fundamental na corrida pelas terras raras, que atraem as principais potências do planeta.

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Outro tema em negociação é um contrato bilionário para a construção de submarinos, disputa da qual a França é uma das candidatas.

Discurso alinhado ao de Trump

A dimensão da viagem de Milei à França vem acompanhada de um discurso ideológico próximo ao de Donald Trump. Assim como o presidente americano, Milei critica o que considera ser o declínio da Europa, atribuído por ele às políticas migratórias e ao excesso de regulamentações adotadas pela União Europeia.

O presidente argentino é um "seguidor" de Trump sobre a ideia de reforçar a influência dos EUA sobre o hemisfério ocidental, mas busca também se firmar como um líder de identidade própria, sobretudo no cenário regional. Como exemplo, em demonstrações de apoio político ao clã Bolsonaro durante a atual campanha eleitoral brasileira.

Milei também fortaleceu sua aliança estratégica com Israel, país que se tornou um dos principais parceiros externos de seu governo.

Questão das Malvinas volta ao centro das atenções

A visita à França ocorre ainda em um momento em que Milei procura reforçar as reivindicações argentinas sobre as Ilhas Malvinas.

O presidente argentino se demonstrou encorajado pelos sinais enviados por Donald Trump, que, no início do mês, sugeriu a possibilidade de rever a histórica neutralidade americana na disputa entre Argentina e Reino Unido. A declaração foi interpretada como um gesto de insatisfação de Washington com Londres, que não teria demonstrado apoio suficiente aos Estados Unidos em sua política em relação ao Irã.

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As Ilhas Malvinas são administradas pelo Reino Unido, mas continuam sendo reivindicadas pela Argentina. O tema ocupa um lugar central na memória nacional dos argentinos e voltou a ganhar destaque recentemente, inclusive durante a Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos.

A disputa levou os dois países à guerra em 1982. Desde então, porém, o cenário internacional mudou e as relações entre Estados Unidos e Reino Unido já não são tão estreitas quanto no passado. Além disso, os britânicos deixaram a União Europeia.

Nesse contexto, Javier Milei tenta recolocar a reivindicação argentina na agenda internacional. Por enquanto, aposta na via diplomática para avançar na questão das Malvinas.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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