O papa Leão XIV realizou sua primeira aparição pública no Vaticano após passar por uma cirurgia para a retirada de um nódulo cancerígeno no pulmão direito. Diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, o pontífice de 71 anos agradeceu pelo apoio e pelas orações, afirmando que retomará suas atividades de forma gradual. Com recuperação rápida e quadro clínico satisfatório, a equipe médica confirmou que sua viagem à América Latina, agendada para novembro, segue mantida sem restrições.
Milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro acompanharam a fala de Leão XIV. "Desejo agradecer a todos aqueles que, nos últimos dias, rezaram por mim. Eu realmente senti o apoio de vocês. Muito obrigado", declarou o papa após a oração do Angelus.
O líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo, de 71 anos, foi submetido a uma cirurgia na última terça-feira (13) no Hospital Gemelli, em Roma. Os médicos removeram um nódulo cancerígeno de seu pulmão direito. Ele recebeu alta no sábado, após uma recuperação considerada rápida pela equipe médica.
A primeira aparição na janela do Palácio Apostólico, onde reside, foi recebida por gritos de "Viva o papa!", entoados por diversas mulheres e ecoados pela esplanada cercada pela famosa colunata de Bernini.
"Expresso um agradecimento especial aos médicos, enfermeiros e a toda a equipe da Policlínica Gemelli. Essa experiência me permitiu sentir de forma ainda mais próxima a realidade de todos aqueles que enfrentam doenças e situações de fragilidade", afirmou o pontífice, que aparentava estar em boa forma física.
"Agora que essa fase delicada foi superada, como vocês sabem, retomarei gradualmente minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas orações", acrescentou Leão XIV, sorrindo e acenando para os fiéis.
Viagem à América Latina deve ser mantida
Após a cirurgia, surgiram dúvidas sobre a realização da viagem do pontífice à América Latina. O giro está programado entre 6 e 17 de novembro no Uruguai, Argentina e Peru, países com forte ligação ao papa, que passou duas décadas como missionário na região.
Entretanto, o cirurgião Stefano Margaritora, responsável pela operação, declarou em entrevista ao Vatican News que não existe "nenhuma razão clínica" que impeça a realização da viagem.
Leão XIV foi operado menos de dois anos após o início de seu pontificado. A alta hospitalar encerrou vários dias de apreensão no Vaticano e entre católicos de todo o mundo. Segundo Margaritora, o papa apresenta um quadro clínico "absolutamente satisfatório" e deverá estar completamente recuperado dentro de aproximadamente dez dias.
O médico explicou que o tumor foi descoberto por acaso durante um exame radiológico abdominal de rotina, que revelou uma pequena mancha na base do pulmão direito.
Embora tenha classificado a intervenção como um procedimento de rotina, o cirurgião destacou o empenho do pontífice, que nasceu em Chicago, na própria recuperação. "Ele realmente se dedicou de corpo e alma, como fazem as pessoas mais motivadas. Sua vontade de se recuperar rapidamente mostrou-se extremamente eficaz em todos os aspectos e foi verdadeiramente admirável", afirmou.
Mesmo durante a internação, Leão XIV já havia retomado parte de suas atividades. Na sexta-feira, ele conversou por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, para defender um cessar-fogo na cidade ucraniana ocupada de Olechky.
Com AFP