Depois de Trump, Rubio volta a criticar Zelensky e cobra foco no fim da guerra

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a criticar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e afirmou nesta segunda-feira (19) que Kiev deve concentrar seus esforços em encerrar a guerra com a Rússia. As declarações foram feitas um dia depois de Donald Trump acusar o líder ucraniano de se recusar a pôr fim ao conflito.

19 out 2026 - 12h28
Resumo
Marco Rubio e Donald Trump endureceram as críticas a Volodymyr Zelensky, cobrando foco no fim do conflito e negando falhas no repasse de inteligência, contestadas por Kiev após novos bombardeios russos. A pressão sobre a Ucrânia aumenta com a suspensão temporária de sanções americanas a Moscou, compras de diesel russo pelos EUA e a possibilidade de um encontro entre Trump, Putin e Xi Jinping para negociar a paz sem a participação ucraniana, enquanto os ataques militares continuam.

Em visita a Samarcanda, no Uzbequistão, Marco Rubio contestou as afirmações de Zelensky de que os Estados Unidos teriam retomado o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia após uma interrupção temporária. 

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com a imprensa na Praça Registan, em Samarcanda, no Uzbequistão, em 19 de outubro de 2026.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com a imprensa na Praça Registan, em Samarcanda, no Uzbequistão, em 19 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Kylie Cooper / RFI

"Não sei de onde Volodymyr Zelensky tirou isso ou por que decidiu falar sobre o assunto à imprensa. Vocês deveriam perguntar a ele. Não houve nenhuma interrupção", declarou o secretário de Estado aos jornalistas que acompanhavam sua viagem. O secretário de Estado acrescentou que o presidente ucraniano deveria se concentrar em "colocar fim à guerra". 

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No entanto, Zelensky ressaltou nesta segunda-feira que a Ucrânia voltou a ser suprendida por bombardeios russos sem receber alertas prévios dos aliados ocidentais. 

"Durante a noite ocorreu uma nova série de ataques russos com mísseis balísticos e, mais uma vez, não houve qualquer aviso prévio de nossos parceiros", escreveu o presidente ucraniano no X.

Segundo ele, a Rússia lançou 16 mísseis balísticos contra Kiev e sua região metropolitana entre domingo (18) e segunda-feira (19). 

Encontro entre Trump, Xi e Putin 

Questionado sobre a notícia publicada pelo Wall Street Journal de um eventual encontro entre os presidentes russo, Vladimir Putin, americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, Rubio evitou confirmar a informação.

Segundo o jornal americano, a reunião foi proposta por Putin para discutir o fim do conflito na Ucrânia. Ela seria realizada durante a cúpula da Apec, Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), marcada para os dias 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, na China, sem a participação de Kiev. 

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"Não sei se isso já foi finalizado", disse. O chefe da diplomacia americana reiterou, porém, que a posição de Trump permanece inalterada e visa buscar o fim da guerra. 

"No que diz respeito à nossa relação com a Ucrânia, nosso objetivo é acabar com uma guerra que ninguém está vencendo", afirmou Rubio.

Ele reiterou o risco de expansão do conflito para outras regiões da Europa. 

Discurso americano contra Zelensky 

As declarações reforçam o endurecimento do discurso de Washington em relação a Kiev. No domingo, Trump afirmou que Zelensky "não quer acabar com esta guerra" e voltou a criticar os ataques ucranianos contra refinarias russas, que, segundo ele, contribuem para a alta dos preços do diesel no mercado internacional. 

Apesar das críticas, Zelensky manteve contato nos últimos dias com enviados da Casa Branca e afirmou que a Ucrânia continua disposta a trabalhar de forma "construtiva" com os Estados Unidos. O líder ucraniano também disse ser grato pela retomada do compartilhamento de inteligência, considerado crucial para a defesa do país diante da intensificação dos ataques russos. 

Nos últimos dias, Trump suspendeu a aplicação de novas sanções contra a Rússia por 60 dias e anunciou um acordo para importação de diesel russo pelos Estados Unidos. As decisões geram crescente preocupação entre autoridades ucranianas com o futuro do apoio americano. 

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Enquanto o embate diplomático se intensifica, os ataques continuam no campo de batalha. Os bombardeios russos na madrugada desta segunda-feira deixaram ao menos um morto em Kiev, enquanto São Petersburgo registrou no domingo o maior ataque de drones ucranianos desde o início da guerra, em 2022. 

Com agências

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