Um encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin está planejado "para os próximos dias". Os preparativos para esta cúpula já começaram, informou Yuri Ushakov, o conselheiro diplomático do presidente russo, nesta quinta-feira (7), citado por agências estatais russas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou seu apelo para um encontro presencial com Putin e diz que a Europa não pode ficar de fora das negociações.
"Por sugestão do lado americano, um acordo foi alcançado preliminarmente para a realização de uma cúpula bilateral nos próximos dias", disse Yuri Ushakov. "Estamos começando a discutir os detalhes com nossos colegas americanos", acrescentou, indicando que essa reunião deve ocorrer "na próxima semana" e que um local havia sido acordado "em princípio" entre as duas partes, sem especificar onde.
O anúncio de um encontro entre os dois líderes acontece um dia antes do término do ultimato dado pelos EUA à Rússia para pôr fim ao conflito, ocorrendo logo após uma visita do enviado dos EUA, Steve Witkoff, a Moscou, onde manteve conversas com Vladimir Putin.
Após a visita de Witkoff ao Kremlin, Zelensky conversou com Donald Trump por telefone, também participaram da conversa vários líderes europeus. Na quarta-feira (6), o presidente americano mencionou um encontro "muito em breve" com Vladimir Putin, segundo a imprensa americana. O último encontro presencial entre os dois líderes ocorreu em 2019, durante uma cúpula do G20, no Japão.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse na quarta-feira que "ainda há muito trabalho" antes de um eventual encontro entre Trump e Putin para discutir a guerra na Ucrânia.
Zelensky pede encontro com Putin
A Rússia não respondeu, no entanto, à sugestão americana de um encontro triplo entre Donald Trump, Vladimir Putin e o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, disse o assessor diplomático do presidente russo.
Nesta quinta-feira, Zelensky reiterou seu apelo por um encontro presencial com Vladimir Putin, afirmando que uma cúpula de líderes era "uma prioridade incontestável" que poderia "levar a uma paz verdadeiramente duradoura". De acordo com Zelensky, "a Ucrânia não tem medo de reuniões e espera a mesma atitude corajosa da Rússia".
Ainda nesse contexto, Volodymyr Zelensky iniciou conversas com o chanceler alemão, Friedrich Merz, e os líderes da França e Itália com o objetivo de "avançar efetivamente no caminho para a paz e garantir a independência da Ucrânia em todas as circunstâncias". Friedrich Merz reafirmou seu apoio contínuo a Volodymyr Zelensky, disse um porta-voz da chancelaria alemã.
"A guerra está ocorrendo na Europa e a Ucrânia é parte integrante da Europa (...) A Europa deve, portanto, participar do processo" para pôr fim à guerra que se arrasta desde 2022, declarou o líder uncraniano nas redes sociais.
Até o momento, o Kremlin mantém as exigências para o fim do conflito, consideradas inaceitáveis por Kiev. A Rússia exige que a Ucrânia ceda quatro regiões parcialmente ocupadas - Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson - além da Crimeia, anexada em 2014. Moscou ainda exige que Kiev renuncie às entregas de armas ocidentais e a qualquer filiação à Otan.
(Com RFI e AFP)