Dono de avião diz que voo de fuga de Flávio foi pago por intermediário nos EUA

Proprietário da companhia Baires Fly recebeu cerca de R$ 800 mil de contratante

30 out 2026 - 13h32
(atualizado às 14h13)
Resumo
Após ser derrotado nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos com a família, descumprindo ordem do STF que proibia sua saída do país. O proprietário da empresa Baires Fly revelou que o voo de US$ 150 mil foi pago por um intermediário nos EUA, apontado pela imprensa americana como um assessor de Donald Trump. O grupo viajou por terra até a Argentina e de lá seguiu de avião para a Flórida, onde obteve vistos humanitários concedidos pelo governo americano.

O avião utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro para fugir do Brasil após sua surpreendente derrota eleitoral foi contratado e pago por um intermediário, por meio de uma conta bancária nos Estados Unidos.

A informação foi confirmada à agência de notícias AFP, na última quinta-feira (29), pelo proprietário da empresa aérea Baires Fly, Luis Grande, em entrevista por telefone concedida da Flórida.

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"Fui contratado por um intermediário que conheço há 10 anos e que vive nos Estados Unidos", declarou o empresário.

Segundo Grande, o intermediário, que possui passaportes dos Estados Unidos e da Argentina, transferiu US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) de uma conta de sua empresa em um banco norte-americano para uma instituição financeira argentina. O empresário, no entanto, preferiu não revelar a identidade do contratante.

Grande afirmou ainda que desconhece para quem o intermediário trabalhava. Alguns veículos de imprensa norte-americanos, entre eles os jornais The New York Times e The Wall Street Journal, noticiaram que a aeronave teria sido fretada por Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Até o momento, a Casa Branca não se manifestou sobre o caso.

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Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar após ser condenado por envolvimento em uma trama golpista, foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (25), depois de ter liderado a votação no primeiro turno das eleições presidenciais.

Após o resultado, o senador, de 45 anos, investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), deixou o Brasil acompanhado da família. Em uma operação sigilosa, o grupo passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar à Flórida, nos Estados Unidos.

A saída do país ocorreu apesar de Flávio ter sido proibido de deixar o território nacional pelo ministro Alexandre de Moraes e obrigado a entregar seus passaportes. A determinação foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e seu amigo e advogado, Willer Tomaz.

De acordo com Grande, o intermediário havia solicitado inicialmente que o voo fosse realizado na segunda-feira (26), mas depois adiou a viagem para a tarde de terça-feira (27).

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Flávio, a esposa, Fernanda, e as filhas, Carolina e Luiza, porém, embarcaram somente à noite, no aeroporto argentino de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil. Antes, a família havia cruzado a fronteira por via terrestre e passado pelo controle migratório, conforme informações divulgadas pelas autoridades argentinas.

Segundo o Departamento Nacional de Migrações da Argentina, Flávio atravessou a fronteira às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Na ocasião, apresentou "documentação de viagem válida e sem nenhum impedimento legal".

Ainda conforme o órgão, às 23h30, o senador e seus familiares embarcaram em uma aeronave operada pela Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador.

Após uma breve escala na cidade equatoriana, o grupo seguiu viagem para Miami. Ao desembarcar nos Estados Unidos, Flávio e sua família receberam vistos humanitários concedidos pelo governo Trump. 

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