Deputados dos EUA pedem explicações a Rubio sobre ajuda do país na fuga de Flávio Bolsonaro

Congressistas do Partido Democrata questionam secretário de Estado americano sobre eventual colaboração com saída do candidato derrotado do Brasil e sua ida aos EUA

30 out 2026 - 13h05
(atualizado às 13h54)
Resumo
Um grupo de 25 deputados democratas dos EUA cobrou explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a suposta ajuda do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro ao país, após ele descumprir ordem do STF de retenção de passaporte. A ação ocorre após revelações de que um conselheiro de Trump providenciou o jatinho usado pelo senador. Os parlamentares questionam a concessão de vistos à família e o impacto diplomático do caso, dando prazo de resposta até 13 de novembro.
Marco Rubio, secretário de Estados dos EUA
Marco Rubio, secretário de Estados dos EUA
Foto: Franklin Jacome/Agencia Press South/Getty Images

Um grupo de 25 deputados dos Estados Unidos enviou uma carta ao Departamento de Estado americano, do secretário Marco Rubio, cobrando esclarecimentos sobre a possível colaboração do governo de Donald Trump na fuga de Flávio Bolsonaro (PL) ao País.

O documento, enviado nesta quinta-feira, 29, é assinado por parlamentares do Partido Democrata, que faz oposição a Trump. Entre eles, há integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Congresso americano. O pedido de explicações ocorre após o jornal americano The New York Times revelar que o jatinho que levou Flávio Bolsonaro da Argentina aos Estados Unidos foi providenciado por Jason Miller, um dos principais conselheiros do presidente dos EUA.

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O senador deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atender a pedido da Polícia Federal e solicitar a apreensão de seus passaportes, além de proibi-lo de sair do País. Ele não cumpriu a medida e fugiu do território nacional, levando a esposa e as duas filhas consigo. Eles chegaram à Flórida, nos Estados Unidos, na manhã de quarta-feira, 28.

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Os deputados querem esclarecer se o Departamento de Estado tinha conhecimento sobre o plano de fuga e, de algum modo, colaborou com a trama. Além disso, pedem explicações sobre a concessão dos vistos que permitiram a entrada de Flávio e de seus familiares no território americano mesmo após o cancelamento dos passaportes do candidato derrotado.

"O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias", afirma um trecho do documento.

O documento, de 15 perguntas, também questiona se o governo americano tinha conhecimento sobre as investigações das quais Flávio Bolsonaro é alvo no Brasil. Além disso, os deputados perguntam se os impactos da fuga nas relações diplomáticas entre EUA e Brasil foram avaliados pela gestão federal.

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O Departamento de Estados tem duas semanas para responder à carta, com prazo até o dia 13 de novembro.

"A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomacia dos EUA", reforçam os parlamentares.

Após desembarcar nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro e aliados divulgaram um comunicado golpista em que ele se proclamou como "presidente eleito" do Brasil e alegou fraude nas urnas sem apresentar provas. A Justiça Eleitoral, membros da campanha presidencial de Flávio e o próprio PL não reiteraram a acusação de fraude.

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