Boom de data centers de IA enfrenta reação negativa nas urnas dos EUA

29 out 2026 - 10h40
Resumo
Eleitores de dez estados dos EUA votarão medidas para restringir ou proibir data centers de inteligência artificial, impulsionados por preocupações bipartidárias com o alto consumo de água e energia, além de impactos à saúde. Embora Ohio lidere essa reação, com dezenas de propostas que ameaçam projetos bilionários como o da Amazon, o setor segue em forte expansão no país e analistas preveem que eventuais vetos apenas redirecionarão as novas construções para outras regiões.

Os eleitores de dez Estados dos EUA decidirão ‌na próxima terça-feira se devem restringir a implantação de data centers em suas comunidades, à medida que a rápida expansão para impulsionar o boom da IA desperta oposição local.

A resistência é especialmente visível em Ohio, um dos mercados de data centers que mais crescem no país. Nenhum outro Estado tem mais propostas eleitorais relacionadas a data centers, com eleitores em mais de uma dúzia de jurisdições prestes a ⁠avaliar 21 propostas paralelamente às eleições de meio de mandato da próxima terça-feira, de acordo com o grupo ‌de pesquisa apartidário Ballotpedia.

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Os eleitores em 38 jurisdições locais analisarão pelo menos 41 medidas que atrasariam, proibiriam ou imporiam novos requisitos aos data centers -- as instalações de grande porte que fornecem o poder ‌de computação necessário para executar aplicativos de IA. A maioria dos ‌Estados exige campanhas de coleta de assinaturas ou outras demonstrações de apoio público antes que ⁠as medidas possam ser incluídas na cédula eleitoral, e sua presença reflete a crescente oposição aos data centers em todo o espectro político.

O apoio à proibição da construção de certos data centers vem tanto de democratas quanto de republicanos, disse a organizadora local Jessica Baker. "Todos nós queremos a mesma coisa."

Baker, que faz parte do grupo de defesa Conserve Ohio, disse que as preocupações com o consumo de eletricidade e ‌água dos data centers estão impulsionando a oposição. Mesmo que os desenvolvedores gerem sua própria energia por meio ‌de turbinas a gás ou ⁠reatores nucleares, muitos moradores ainda ⁠não querem que as instalações sejam construídas perto de suas comunidades, porque estão preocupados com riscos à saúde de ⁠seus filhos, como a asma, disse ela.

Se os eleitores ‌de Ohio aprovarem restrições, é provável ‌que os desenvolvedores redirecionem os projetos para outros locais, em vez de abandoná-los completamente, disse Baron Fung, que supervisiona pesquisas sobre infraestrutura de TI na empresa de pesquisa de mercado Dell'Oro Group. O setor já enfrenta grandes obstáculos, incluindo esperas de anos para conexões à rede elétrica e ⁠custos crescentes de construção.

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"Se houver um cancelamento ou atraso em determinados locais, (os desenvolvedores) podem, potencialmente, transferir parte dessa demanda para outro local", disse Fung.

A TODO VAPOR

O crescimento recente sugere que a oposição local não desacelerou significativamente o setor. A capacidade dos data centers em construção nos EUA aumentou 48% de dezembro de 2025 a junho de 2026, medida em ‌gigawatts, de acordo com John McWilliams, chefe de análises de data centers da empresa de serviços imobiliários Cushman & Wakefield.

"Embora existam regiões ou jurisdições em todo o país onde há algum atrito entre os ⁠desenvolvedores, ainda há áreas onde os projetos estão avançando", disse McWilliams.

As propostas de referendo chamaram a atenção de alguns dos maiores participantes do setor. Em Sunbury, perto de Columbus, uma proposta que proibiria data centers que consumissem mais de 25 megawatts de energia poderia inviabilizar o projeto de US$2 bilhões proposto pela Amazon. A diretora de políticas públicas da Amazon, Shannon Kellogg, apareceu na TV local em outubro para responder a perguntas sobre o projeto antes da votação.

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Um porta-voz da Amazon se recusou a dizer se as iniciativas eleitorais em todo o território dos EUA afetariam os planos de expansão dos data centers da empresa.

"Estamos focados em trabalhar com os moradores e autoridades locais para construir data centers que gerem empregos, fortaleçam as economias locais por meio de milhões em pagamentos de impostos e alimentem as tecnologias nas quais os clientes confiam", disse o porta-voz.

"Independentemente do resultado de qualquer medida específica, nosso compromisso com as comunidades onde atuamos permanece o mesmo."

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