Um vazamento expôs dados pessoais e de contato de milhares de agentes federais dos EUA, incluindo policiais sob disfarce do ICE e do Departamento de Segurança Interna (DHS). Promovida pelo grupo Department of Peace para exigir transparência, a ação disponibilizou as informações em um banco de busca online. O caso, confirmado pelo DHS e pelo jornal The Washington Post, levanta preocupações com a segurança dos oficiais em meio ao endurecimento da política de deportação em massa do governo Trump.
Segundo a entidade, o arquivo permite identificar funcionários de várias agências federais, incluindo o ICE, a polícia de imigração norte-americana. Os responsáveis pela divulgação afirmam que os documentos expõem as identidades e os dados de contato de agentes de imigração e de fronteira, incluindo investigadores que atuam sob disfarce.
Segundo eles, o material também revela detalhes da estrutura responsável por executar as operações do ICE em todo o país.
O vazamento ocorre em um momento de forte endurecimento da política migratória do presidente Donald Trump. Desde o início do segundo mandato, em janeiro do ano passado, o governo ampliou as operações de prisão e deportação de imigrantes sem documentação e intensificou a pressão sobre as chamadas "cidades-santuário", que limitam a cooperação com as autoridades federais.
Até o momento, o governo norte-americano não informou quais podem ser as consequências do vazamento para a segurança dos funcionários expostos. O caso também levanta dúvidas sobre a capacidade das agências federais de proteger informações sensíveis em um momento de forte polarização política em torno do tema da imigração.
Fiscalização e transparência
O Department of Peace afirmou, na internet, ter obtido acesso a bancos de dados protegidos do DHS por meio do serviço de autenticação única (single sign-on) utilizado pelos funcionários da agência para acessar sistemas internos.
O grupo compartilhou os registros com a organização sem fins lucrativos Distributed Denial of Secrets e com um hacker suíço que utiliza o pseudônimo online "maia arson crimew". Esse hacker suíço criou, então, um banco de dados online com sistema de busca que inclui "nomes de funcionários, cargos, informações de contato e atribuições", informou a organização sem fins lucrativos.
O jornal americano The Washington Post teve acesso ao conteúdo do banco de dados e confirmou a autenticidade dos dados com autoridades atuais e antigas do Departamento de Segurança Interna.
O DHS informou, na noite de quarta-feira, que estava "ciente de uma possível violação" e que trabalhava para "lidar com a situação de forma rápida e eficaz".
"Levamos a sério todas as ameaças à segurança de nossos funcionários e agentes e trabalharemos para garantir que todos estejam devidamente protegidos. Informaremos o público assim que tivermos mais detalhes", declarou o órgão.
Segundo o grupo de hackers, o objetivo da ação é ampliar a fiscalização e a transparência em relação ao DHS. Nos últimos 21 meses, o DHS tornou-se peça central na agenda de deportações em massa do presidente Donald Trump.
Em algumas operações, agentes do ICE quebraram vidros de veículos e se posicionaram nas proximidades de residências, tribunais, locais de trabalho e outros espaços públicos para deter pessoas suspeitas de estarem no país de forma irregular. Vários imigrantes e cidadãos americanos foram baleados, alguns inclusive mortos, por agentes durante essas operações, que, em diversas ocasiões, provocaram grandes protestos.
RFI e AFP