Polícia portuguesa abre investigação sobre caso de brasileira agredida durante votação em Lisboa

26 out 2026 - 11h47
(atualizado às 12h12)
Resumo
A polícia portuguesa investiga a agressão a uma brasileira que vestia vermelho após votar em Lisboa, em ato supostamente cometido por um bolsonarista. O Consulado acompanha o caso da jovem, que teve ferimentos no rosto. O ataque ocorreu em meio a um clima de tensão entre apoiadores de Lula e Bolsonaro na Universidade de Lisboa, maior colégio eleitoral no exterior, onde 33 mil pessoas votaram, registrando 58% de abstenção e a vitória de Lula na capital portuguesa com 60% dos votos válidos.
Brasileiros fazem fila para votar no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, em Lisboa, Portugal, onde uma jovem foi agredida, em 25 de outubro de 2026.
Brasileiros fazem fila para votar no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, em Lisboa, Portugal, onde uma jovem foi agredida, em 25 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Rodrigo Antunes / RFI

O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeias, informou nesta segunda-feira (26) que a polícia portuguesa já abriu oficialmente um inquérito para identificar o homem que deu um soco em uma adolescente de 17 anos na tarde de domingo, nas proximidades do local de votação do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, na capital portuguesa.

Candeias garantiu que continuará acompanhando o caso e trabalhando em cooperação com as autoridades portuguesas. "É um caso que consideramos muito grave. Do lado do consulado, tudo será feito para que esse ato não fique impune", afirmou.

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A vítima estava vestida com uma camiseta vermelha e foi agredida por um homem supostamente bolsonarista. O ataque ocorreu depois que ela já havia votado e estava a duas quadras do local de votação, no campus da Universidade de Lisboa, uma área sem policiamento.

A jovem foi atendida pelo médico de plantão no posto dos bombeiros da Universidade e, em seguida, levada de ambulância ao Hospital de São José, acompanhada por uma amiga maior de idade. Ela sofreu ferimentos no rosto, ficando com o olho esquerdo inchado e com um corte. Segundo a equipe médica, a adolescente, que permaneceu em observação e recebeu alta na noite de domingo, também estava bastante abalada emocionalmente.

Além dos relatos de testemunhas, há um vídeo gravado após a agressão que mostra o suposto autor do ataque.

Tensão

Em Lisboa, 33 mil eleitores compareceram às urnas, e muitos permaneceram nos gramados da Universidade de Lisboa após votar. Houve momentos de tensão, com provocações e gritos entre apoiadores do PT e de Jair Bolsonaro. A polícia precisou intervir e separar os grupos em áreas distintas.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou sua preferência entre os eleitores da capital portuguesa, recebendo 60% dos votos. Lisboa, o maior colégio eleitoral brasileiro fora do país, registrou no primeiro turno uma abstenção superior a 63,5%. No segundo turno, esse índice caiu para 58%. Ao todo, 78.607 eleitores estavam aptos a votar na capital portuguesa.

Em todo o território português, havia 134.797 eleitores brasileiros registrados neste ano, um crescimento de 481,5% em relação a 2010, quando eram 23.182 inscritos.

Esforços para votar

Alguns eleitores que não compareceram ao primeiro turno relataram ter feito grandes esforços para votar neste domingo.

A estudante Manuela Le-Fort mora atualmente em Paris, mas viajou para Lisboa nesta semana. "Eu morava em Lisboa e, quando chegou o período para transferir o título, ainda não tinha sido aceita pela faculdade em Paris. No primeiro turno acabei não vindo, mas achei importante estar aqui hoje", afirmou.

Lisboa também é a zona eleitoral dos brasileiros residentes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Bárbara Ramos, que vive na Madeira, viajou à capital portuguesa exclusivamente para votar. "É complicado vir votar. Peguei um voo de madrugada e volto para a Madeira hoje mesmo, às 16h. No primeiro turno não vim, mas acho que este é um momento decisivo, o que me motivou", disse.

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