A Justiça francesa revogou a custódia policial de Kévin T., de 39 anos, transferindo-o para observação psiquiátrica de até 48 horas para avaliar sua sanidade. O homem realizou um ataque a tiros nos arredores de Paris, matando um jovem negro de 26 anos e ferindo outras cinco pessoas. Classificado por Emmanuel Macron como atentado terrorista racista, o crime teve motivações confessas ligadas à cor da pele das vítimas. A polícia encontrou botijões de gás preparados para explodir na casa do autor.
A Promotoria informou que o suspeito será "submetido a um período de observação psiquiátrica que pode durar 48 horas". A família da vítima manifestou surpresa após o anúncio. O órgão disse ainda que a análise toxicológica realizada no homem revelou "a presença de maconha e cocaína em seu sangue".
"Após o exame psiquiátrico de Kévin T., de 39 anos, realizado na noite de sábado (24), sua custódia policial foi revogada", explicou o Pnat. "De acordo com as conclusões do perito, ele foi transferido para a ala psiquiátrica da Direção da Polícia [em Paris] para passar por um período de observação que pode durar 48 horas", acrescentou.
O Ministério Público esclareceu que "essa medida visa avaliar se o seu estado de saúde mental é compatível com a possibilidade de dar continuidade aos seus interrogatórios". Segundo o jornal Le Parisien, o suspeito afirmou aos investigadores que está em tratamento para esquizofrenia.
Por outro lado, "a custódia policial dos [quatro] membros do círculo familiar e de amizades do indivíduo continua", esclareceu o Pnat. Entre eles estão a mãe e o pai suspeito, de acordo com uma fonte próxima do caso.
Vítima fatal tinha 26 anos
O "atentado terrorista racista", nas palavras do presidente francês, Emmanuel Macron, chocou a França. Na manhã de sexta-feira (23), o autor abriu fogo a partir de seu carro com uma arma automática contra pedestres em duas localidades vizinhas, Trappes e La Verrière, a cerca de meia hora de Paris. Ele matou Pengo Bossio Wangi, um jovem francês descendente de africanos de 26 anos, e feriu outras cinco pessoas, entre elas uma menina de 12 anos.
O principal suspeito tinha antecedentes policiais, mas não era monitorado pelos serviços de inteligência. No momento da prisão, portava uma pistola-metralhadora e gás lacrimogêneo, segundo fontes policiais. De acordo com os agentes, ele estava "muito calmo" quando foi detido.
Além disso, o homem havia instalado "três botijões de gás e acionadores elétricos conectados a um temporizador" em sua residência na cidade de Plaisir, com a intenção de provocar uma explosão, segundo uma fonte próxima ao caso.
Durante a busca em seu apartamento, os investigadores encontraram um exemplar de Mein Kampf (Minha Luta), escrito pelo ditador nazista Adolf Hitler, além de uma Bíblia e de um Alcorão.
Em depoimento à polícia, o suposto agressor afirmou que queria se vingar dos comerciantes vítimas dos saques de 17 de outubro e que escolheu suas vítimas com base na cor da pele.
RFI com AFP