EUA deportam migrantes para país africano que recomendam evitar 'a todo custo'

Um avião transportando pessoas deportadas dos Estados Unidos estava a caminho da República Centro-Africana nesta sexta-feira (12), de acordo com uma organização que monitora esses voos e um advogado familiarizado com o caso. A bordo estavam cidadãos iranianos, afegãos, turcos e georgianos.

12 jun 2026 - 13h59

Essas deportações para "terceiros países" tornaram-se um elemento-chave da política anti-imigração adotada pelo presidente Donald Trump, embora sua legalidade esteja sendo contestada nos Estados Unidos e no exterior.

A crise na República Centro-Africana já provocou quase um milhão de deslocados.
A crise na República Centro-Africana já provocou quase um milhão de deslocados.
Foto: AFP PHOTO/MIGUEL MEDINA / RFI

O conselho do Departamento de Estado dos EUA a seus cidadãos em relação à República Centro-Africana, um país envolvido em conflito armado, é: "Não vá para a República Centro-Africana por nenhum motivo".

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Donald Trump classificou o Irã, com o qual Washington está atualmente em guerra, como um "regime terrorista", mas, mesmo assim, continua deportando iranianos que fugiram do país, incluindo pelo menos duas mulheres, segundo seu advogado. Os iranianos haviam obtido uma "suspensão da deportação" — um status que concede menos direitos do que o asilo, mas que, mesmo assim, era considerado uma "vitória" nos tribunais de imigração em administrações anteriores dos EUA.

"Tememos que, em última análise, eles sejam forçados a retornar aos países dos quais fugiram inicialmente", como já aconteceu com outros deportados enviados para outros países da África, disse à AFP a advogada Emily Trostle.

O voo decolou na noite de quinta-feira de Alexandria, Louisiana (sudeste dos Estados Unidos), de acordo com o ICE Flight Monitor, afiliado à organização sem fins lucrativos Human Rights First. O número de passageiros não foi especificado. O avião fez uma escala programada em Gana, um importante centro de deportações dos EUA para terceiros países, por volta das 13h pelo horário universal de sexta-feira, segundo dados de voos disponíveis publicamente. Ainda não se sabe se algumas pessoas serão deportadas em Gana ou se todas seguirão para a República Centro-Africana, disse Alma David, advogada de imigração dos EUA.

Ela indicou que os enviados para a República Centro-Africana eram "principalmente beneficiários de prorrogações de deportação, vindos de diversos países, incluindo Irã, Afeganistão, Turquia e Geórgia".

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Nem o Departamento de Estado dos EUA nem as autoridades de imigração de Gana responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Tratamento desumano

O governo Trump continua a expandir o número de pessoas sujeitas a deportações — incluindo aquelas com proteção legal — e os países para os quais podem ser enviadas. Deportados e advogados descreveram condições de detenção precárias nos Estados Unidos, tratamento desumano em Gana e detenção por tempo indeterminado em Eswatini.

De Gana e da Guiné Equatorial, outro polo africano, algumas pessoas foram enviadas de volta aos seus países de origem, mesmo que juízes americanos tenham determinado que elas estariam em perigo nesses locais.

Não está claro o que acontecerá com os deportados assim que chegarem à República Centro-Africana, sob o que parece ser o primeiro acordo firmado entre Bangui e Washington, que já assinou diversos acordos de deportação na África e em outros lugares. As autoridades centro-africanas não responderam aos pedidos de comentários da AFP.

O governo Trump alegou que só estava impedido de enviar para seus países de origem aqueles que receberam uma "suspensão da deportação" — e que, portanto, poderia enviá-los para outros lugares.

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"Essas pessoas estão sendo deportadas dos Estados Unidos e abandonadas em um país onde não têm status, vínculos ou rede de apoio", disse a advogada Emily Trostle à AFP.

Nos últimos anos, uma missão de paz da ONU, tropas ruandesas e mercenários do grupo paramilitar russo Wagner ajudaram a melhorar a situação de segurança na República Centro-Africana.

Mas combatentes antigoverno e grupos armados permanecem ativos neste país instável e rico em minerais.

Na semana passada, uma queixa foi apresentada à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos — o principal órgão de direitos humanos da África — buscando suspender as deportações dos EUA para a Guiné Equatorial, um pequeno Estado centro-africano rico em petróleo, governado com mão de ferro por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo desde 1979.

A queixa também visa impedir que a Guiné Equatorial devolva esses deportados aos seus países de origem.

Com AFP

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