A decisão foi anunciada poucas horas depois de um acordo com a principal central sindical, a Central Operária Boliviana (COB), que suspendeu as mobilizações. Apesar disso, outros setores mantêm os protestos em diferentes regiões do país.
"Após esgotar todas as vias de diálogo, chegar a acordos com aqueles cujas reivindicações eram legítimas e identificar aqueles que estavam usando a violência para tentar desestabilizar a Bolívia, tomamos a decisão de declarar estado de emergência em todo o território nacional", disse Paz.
A crise começou no início de maio, quando a COB convocou manifestações para denunciar a falta de respostas do governo à crise econômica, considerada a mais grave em quarenta anos. Agricultores, operários e mineiros aderiram ao movimento, que rejeita propostas de reforma do governo de centro-direita. Rodrigo Paz assumiu o poder em novembro, encerrando duas décadas de governos socialistas.
Os protestos provocaram bloqueios em estradas de todo o país e levaram à escassez de alimentos, medicamentos e combustível em diversas cidades, incluindo La Paz, sede do governo. O acordo com a COB foi alcançado após a abertura de negociações na semana passada.
"A partir de agora, as medidas de pressão estão suspensas em todo o país", anunciou o presidente da central sindical, Mario Argollo.
Reivindicações
O governo se comprometeu, entre outros pontos, a não privatizar empresas estatais, uma das principais reivindicações dos sindicatos. Grupos de trabalho formados por ministros e representantes sindicais também devem discutir outras demandas, incluindo a situação de pessoas detidas durante confrontos. Segundo o Provedor de Justiça, órgão independente que recebe denúncias contra o Estado, mais de cem pessoas foram presas na Bolívia desde o início da crise.
Argollo afirmou que o acordo prevê um prazo de 90 dias para avanços nas negociações. "A bola agora está com eles", disse.
Apesar do entendimento com a COB, parte dos manifestantes rejeitou o acordo. Grupos camponeses e produtores de coca da região de Chapare, reduto político do ex-presidente Evo Morales, decidiram manter a mobilização.
"Decidimos reforçar os bloqueios", afirmou Antonio Mallku, líder sindical, ao canal Unitel. "Nossos irmãos indígenas se sentiram traídos."
Embora o número de bloqueios tenha diminuído, cerca de cinquenta ainda permanecem ativos. O presidente afirmou ter ordenado que forças de segurança restabeleçam a circulação nas estradas e garantam a segurança da população. Segundo ele, quem continuar com bloqueios ou recorrer à violência enfrentará "todo o rigor da lei".
Rodrigo Paz também justificou o estado de emergência ao denunciar uma "tentativa de golpe de Estado liderada pelo narcoterrorismo". O governo acusa regularmente Evo Morales de incentivar os protestos e bloqueios, o que é negado por lideranças sindicais.
Com AFP