Bolívia decreta estado de emergência em meio a protestos e bloqueios, mesmo após acordo com sindicatos

Em pronunciamento na televisão, ele afirmou que esgotou todas as vias de diálogo

20 jun 2026 - 05h40
(atualizado às 08h04)
Reunião de líderes dos "Ponchos Vermelhos" para discutir o futuro dos protestos que já duram mais de seis semanas em Tilata, departamento de La Paz, Bolívia, em 18 de junho de 2026.
Reunião de líderes dos "Ponchos Vermelhos" para discutir o futuro dos protestos que já duram mais de seis semanas em Tilata, departamento de La Paz, Bolívia, em 18 de junho de 2026.
Foto: AFP - AIZAR RALDES / RFI

A decisão foi anunciada poucas horas depois de um acordo com a principal central sindical, a Central Operária Boliviana (COB), que suspendeu as mobilizações. Apesar disso, outros setores mantêm os protestos em diferentes regiões do país.

"Após esgotar todas as vias de diálogo, chegar a acordos com aqueles cujas reivindicações eram legítimas e identificar aqueles que estavam usando a violência para tentar desestabilizar a Bolívia, tomamos a decisão de declarar estado de emergência em todo o território nacional", disse Paz.

A crise começou no início de maio, quando a COB convocou manifestações para denunciar a falta de respostas do governo à crise econômica, considerada a mais grave em quarenta anos. Agricultores, operários e mineiros aderiram ao movimento, que rejeita propostas de reforma do governo de centro-direita. Rodrigo Paz assumiu o poder em novembro, encerrando duas décadas de governos socialistas.

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Os protestos provocaram bloqueios em estradas de todo o país e levaram à escassez de alimentos, medicamentos e combustível em diversas cidades, incluindo La Paz, sede do governo. O acordo com a COB foi alcançado após a abertura de negociações na semana passada.

"A partir de agora, as medidas de pressão estão suspensas em todo o país", anunciou o presidente da central sindical, Mario Argollo.

Reivindicações

O governo se comprometeu, entre outros pontos, a não privatizar empresas estatais, uma das principais reivindicações dos sindicatos. Grupos de trabalho formados por ministros e representantes sindicais também devem discutir outras demandas, incluindo a situação de pessoas detidas durante confrontos. Segundo o Provedor de Justiça, órgão independente que recebe denúncias contra o Estado, mais de cem pessoas foram presas na Bolívia desde o início da crise.

Argollo afirmou que o acordo prevê um prazo de 90 dias para avanços nas negociações. "A bola agora está com eles", disse.

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Apesar do entendimento com a COB, parte dos manifestantes rejeitou o acordo. Grupos camponeses e produtores de coca da região de Chapare, reduto político do ex-presidente Evo Morales, decidiram manter a mobilização.

"Decidimos reforçar os bloqueios", afirmou Antonio Mallku, líder sindical, ao canal Unitel. "Nossos irmãos indígenas se sentiram traídos."

Embora o número de bloqueios tenha diminuído, cerca de cinquenta ainda permanecem ativos. O presidente afirmou ter ordenado que forças de segurança restabeleçam a circulação nas estradas e garantam a segurança da população. Segundo ele, quem continuar com bloqueios ou recorrer à violência enfrentará "todo o rigor da lei".

Rodrigo Paz também justificou o estado de emergência ao denunciar uma "tentativa de golpe de Estado liderada pelo narcoterrorismo". O governo acusa regularmente Evo Morales de incentivar os protestos e bloqueios, o que é negado por lideranças sindicais.

Com AFP

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