Colômbia decide entre continuidade e guinada à direita em eleição presidencial marcada por violência

O segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia ocorre neste domingo (21) sob forte polarização política e em meio a um recrudescimento da violência, que volta a colocar o tema da segurança no centro do debate eleitoral.

21 jun 2026 - 07h35

De um lado, o advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos, milionário e novato na política, se apresenta como um outsider antissistema, defensor de uma linha dura contra o crime. Apoiador declarado do presidente americano Donald Trump, ele aposta em um discurso de autoridade e ordem para conquistar eleitores insatisfeitos com a criminalidade no país.

Colombianos residentes na Espanha votam no segundo turno da eleição presidencial da Colômbia, no pavilhão da Casa de Campo, em Madri, em 21 de junho de 2026.
Colombianos residentes na Espanha votam no segundo turno da eleição presidencial da Colômbia, no pavilhão da Casa de Campo, em Madri, em 21 de junho de 2026.
Foto: AFP - PIERRE-PHILIPPE MARCOU / RFI

Do outro, está o senador Iván Cepeda, de 63 anos, aliado do presidente Gustavo Petro e herdeiro político do primeiro governo de esquerda da história colombiana. Cepeda conta com o respaldo de parcelas importantes da população, sobretudo das classes populares beneficiadas por políticas sociais que reduziram a pobreza, elevaram salários e diminuíram o desemprego durante o atual mandato.

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A eleição é vista como decisiva para definir o futuro da Colômbia: manter a agenda social e reformista iniciada por Petro ou promover uma guinada para a extrema direita, com foco em segurança e liberalismo econômico.

Na Espanha, onde vive uma das maiores comunidades colombianas no exterior, a mobilização eleitoral é significativa. Em Madri, principal centro de votação fora do país, milhares de eleitores compareceram aos postos instalados, como o pavilhão da Casa de Campo, em um pleito marcado por alta participação e organização. Ao todo, quase 308 mil colombianos estão habilitados a votar no país europeu, onde o processo ocorre ao longo de vários dias para facilitar o acesso dos eleitores, refletindo o peso crescente da diáspora nas decisões políticas da Colômbia

Operação militar antes da eleição

O clima de tensão foi intensificado na véspera da votação com o anúncio de uma importante operação militar. No sábado (20), o presidente Gustavo Petro informou a morte de Marlon, braço direito de Iván Mordisco, um dos principais líderes das dissidências armadas das antigas FARC.

"Marlon, braço direito de Iván Mordisco, caiu em combate", escreveu Petro na rede social X.

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Mordisco lidera o Estado-Maior Central, principal facção dissidente das FARC que rejeitou o acordo de paz firmado em 2016 com o governo colombiano. O grupo é considerado hoje uma das maiores ameaças armadas no país.

Segundo autoridades, Marlon comandava as operações no departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia, e era apontado como responsável por um atentado a bomba que matou cerca de 20 civis em abril. Ele também figurava entre os criminosos mais procurados internacionalmente e era alvo de investigações nos Estados Unidos por tráfico de drogas e participação em redes de armamento com cartéis mexicanos.

O presidente classificou a operação como "o golpe mais duro" contra as estruturas armadas no oeste do país, afirmando que o grupo foi derrotado na região. Já o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, descreveu Marlon como "um dos terroristas mais perigosos do sudoeste colombiano".

O episódio reforça o peso da segurança pública na eleição, marcada por uma série de ataques, atentados e ações de grupos armados ao longo da campanha.

Com AFP

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