Lançado no sábado (1º), pela Trump Media, da qual Donald Trump é o principal acionista, o serviço chamado Truth API ("Interface de Programação de Aplicações", na sigla em inglês), anunciado em meados de julho, é destinado a empresas especializadas no processamento automatizado de dados.
Disponível por assinatura, com preço mensal entre US$ 60 mil e US$ 100 mil (entre R$ 305 mil e R$ 510 mil na cotação atual), segundo o site Axios, o serviço promete acesso quase instantâneo às publicações de Donald Trump em sua rede social, pouco antes de elas se tornarem públicas. De acordo com o Wall Street Journal, cinco empresas financeiras haviam contratado a Truth API pouco depois de seu lançamento.
Para companhias especializadas em operações de altíssima velocidade, receber esse tipo de informação um instante antes do restante do mercado permite, em teoria, antecipar a reação dos investidores e ganhar milhões, ou até dezenas de milhões de dólares, com a venda ou compra de ações e commodities.
A ideia é "dar aos investidores mais rápidos e aos algoritmos uma vantagem medida em frações de segundo", explica Art Hogan, analista da gestora de patrimônio B. Riley Wealth Management, ouvido pela AFP.
Suspeitas de favorecimento nos mercados
Embora a Truth Social pertença a uma empresa privada, a rede tornou-se uma ferramenta oficial de comunicação do presidente dos Estados Unidos. Donald Trump anuncia regularmente nela decisões diplomáticas, militares ou econômicas de grande importância, relacionadas ao Irã, às tarifas de importação ou às sanções, entre outros temas capazes de provocar oscilações nos mercados globais.
Apenas algumas horas após o lançamento da Truth API, Donald Trump demonstrou a influência de suas publicações sobre os mercados. No sábado (1º), ele anunciou na Truth Social que suspendia ataques de grande escala previstos contra o Irã. Na abertura dos mercados, os preços do petróleo recuaram imediatamente.
É justamente isso que alimenta as acusações de corrupção. Na terça-feira (4), o senador democrata Mark Warner anunciou no X a apresentação de um projeto de lei destinado a "por fim a essa corrupção e garantir que todos os americanos tenham acesso livre e justo aos anúncios públicos feitos por autoridades governamentais".
Alguns dias antes, em 29 de julho, os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff já haviam solicitado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador dos mercados financeiros dos Estados Unidos, a abertura de uma investigação sobre o que classificam como um "escandaloso abuso de poder".
Acusações de enriquecimento pessoal
O presidente e sua família enfrentam acusações de enriquecimento pessoal indevido e conflitos de interesse desde o início do segundo mandato do republicano. Críticas que Donald Trump rejeita categoricamente. No início de julho, ele defendeu o fato de ter obtido cerca de US$ 1,2 bilhão (mais de R$ 5,5 bilhões) com suas atividades no setor de criptomoedas em 2025, afirmando que "todo mundo estava se beneficiando" de seu retorno ao poder. Segundo a revista Forbes, seu patrimônio pessoal passou de US$ 2,3 bilhões para US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 11,5 bilhões a R$ 28 bilhões) entre 2024 e 2026.
O bilionário, assim como seus filhos Eric e Don Jr., empresários muito ativos, afirma repetidamente que não exerce controle direto sobre as receitas da família, que, segundo eles, estão alocadas em fundos independentes. Em uma pesquisa publicada pela CNN e realizada pelo instituto SSRS no fim de julho, mais de seis em cada dez americanos entrevistados consideram que o presidente dos Estados Unidos foi "longe demais" na "busca de seus interesses financeiros pessoais".
(Com agências)