Governo Trump exigiu que Brasil liberasse participação de ‘dissidentes políticos’ na eleição de 2026

Pedido integra lista de 21 demandas feitas ao País na primeira proposta de acordo entre os dois governos após a imposição do tarifaço de 50%

17 set 2026 - 11h17
(atualizado às 11h29)
Governo Trump exigiu que Brasil liberasse participação de ‘dissidentes políticos’ na eleição de 2026
Governo Trump exigiu que Brasil liberasse participação de ‘dissidentes políticos’ na eleição de 2026
Foto: Reuters

O governo Donald Trump exigiu do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante negociações diplomáticas sigilosas após o tarifaço de 50% imposto ao País, que “dissidentes políticos” no Brasil não fossem detidos, presos ou impedidos “arbitrariamente” de participar das eleições presidenciais de 2026, segundo informações do Estadão. O governo dos EUA fez a demanda para que o País se comprometesse com a realização de eleições “livres e justas”.

A demanda explícita consta em um documento enviado pelos americanos aos negociadores brasileiros em outubro do ano passado, e que foi obtido pelo Estadão, com 21 demandas. O teor da exigência, considerado uma intromissão por integrantes do governo brasileiro, era mantido em segredo pelos dois lados até o momento.

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“O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, exigiu Trump. Para o governo brasileiro, o pedido dizia respeito à participação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no ano passado por tentativa de golpe, nas eleições deste ano.

O Itamaraty não quis comentar oficialmente o teor da proposta. O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não responderam aos pedidos da reportagem.

Em agosto, uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado afirmou, sob reserva, que o governo dos EUA respeitaria o resultado das urnas, desde que o Brasil promovesse uma disputa eleitoral “livre e justa” e que os Estados Unidos já trabalharam com governos de “ambos os lados do espectro no Brasil” e que os relacionamentos foram bem-sucedidos.

Daniel Perez, embaixador indicado por Trump, ainda não aprovado por Lula, negou que irã se envolver na disputa eleitoral em entrevista a uma TV da Flórida. “Quanto às eleições no Brasil, isso cabe aos brasileiros decidir, e quem quer que eles escolham como vencedor será a pessoa com quem trabalharei”, disse.

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O governo Lula já acusou o governo Trump de tentar operar uma ingerência descabida em assuntos domésticos, violar a soberania e interferir processo eleitoral brasileiro, mas sempre o fez em função de outras ações concretas dos EUA — como o tarifaço, a designação de facções como terroristas, aplicação de sanções a autoridades, envio de representantes e a cassação de vistos diplomáticos.

A exigência nunca havia sido trazida ao conhecimento público, nem era de domínio de todos os integrantes do governo envolvidos na negociação bilateral.

A negociação após tarifaço de 50%

O documento foi apresentado no dia 16 de outubro de 2025 a uma missão brasileira despachada a Washington, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ele consiste na primeira proposta de acordo entre os dois governos após o tarifaço de 50% imposto ao Brasil, anunciado por Trump em julho do ano passado.

O chanceler viajou com dois negociadores e quatro assessores. Pelo menos dois deles receberam a proposta originalmente enviada por e-mail, com o objetivo de promover discussões internas na comitiva brasileira e levar o assunto ao Ministério em reunião posterior entre os governos.

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Os Estados Unidos não mencionam no documento o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão no caso da trama golpista. Mesmo depois da condenação, Bolsonaro e seus familiares insistiram por alguns meses na pré-candidatura do ex-presidente. Ele já estava inelegível até 2030 na época, por abuso de poder político, em ação julgada em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio Bolsonaro (PL), senador e filho do ex-presidente, só veio a público anunciar que havia sido indicado pelo pai como pré-candidato a presidente em 5 de dezembro.

(*Com informações do Estadão)

Fonte: Portal Terra
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