El Niño ameaça comércio mundial com nova redução no tráfego do Canal do Panamá por falta de água

O Canal do Panamá vai reduzir novamente seu tráfego a partir de outubro, devido à falta de água provocada pelo fenômeno climático El Niño. A restrição ocorre enquanto essa rota marítima estratégica opera quase no limite de sua capacidade, especialmente por causa das perturbações no Oriente Médio. As consequências econômicas podem chegar ao preço das mercadorias.

17 set 2026 - 12h03
Resumo
O Canal do Panamá reduziu o tráfego diário para menos de 30 navios a partir de outubro devido à escassez de água provocada pelo fenômeno El Niño. Responsável por cerca de 5% do comércio marítimo global, a rota enfrenta alta demanda diante de crises no Oriente Médio. A restrição forçou a elevação dos custos de frete, leilões recordes por prioridade e o uso de desvios mais longos e caros pela América do Sul ou ferrovias, gerando impactos inflacionários diretos no comércio e na economia mundial.

Stéphane Geneste, da RFI

Vista aérea mostra um navio cargueiro passando pelo Canal do Panamá, em 1º de fevereiro de 2026.
Vista aérea mostra um navio cargueiro passando pelo Canal do Panamá, em 1º de fevereiro de 2026.
Foto: © Enea Lebrun / Reuters / RFI

É um novo terremoto no transporte marítimo mundial. A administração do Canal do Panamá anunciou uma nova redução do tráfego a partir de outubro. A via que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico poderá receber apenas cerca de 30 navios por dia.

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A causa é o fenômeno climático El Niño e a falta de água necessária para o funcionamento do canal. Com 80 quilômetros de extensão, essa via marítima permite que os navios passem do Atlântico ao Pacífico sem precisar contornar a América do Sul.

Todos os anos, cerca de 5% do comércio marítimo mundial passa pelo canal, movimentando centenas de bilhões de dólares. Em 2024, mercadorias no valor de US$ 444 bilhões atravessaram o Canal do Panamá.

Sua importância tornou-se ainda mais evidente desde o início da crise no Oriente Médio. O conflito e as perturbações em torno do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez levam alguns países asiáticos a aumentar suas compras nos Estados Unidos e, consequentemente, a fazer passar mais navios pelo Canal do Panamá.

Nos últimos meses, o canal operava quase em sua capacidade máxima, com até 40 travessias por dia. Mas a redução de cerca de dez passagens diárias a partir de outubro é significativa para uma rota pela qual transitam centenas de bilhões de dólares em mercadorias.

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El Niño priva o Canal do Panamá da água necessária para funcionar

O aumento do tráfego ocorre justamente quando o canal enfrenta um problema de grandes proporções: não há água suficiente para permitir a passagem de todos os navios.

O canal funciona graças à água da chuva, armazenada em dois grandes lagos artificiais. Entre maio e agosto, o volume de água que chegou à bacia foi 44% inferior ao normal.

O resultado foi uma redução progressiva do número de travessias: 36 por dia em agosto, 34 desde o início de setembro, depois 32 a partir de meados de setembro e menos de 30, em média, a partir de outubro.

As consequências são concretas para os armadores. Menos vagas disponíveis significam mais tempo de espera e, sobretudo, travessias mais caras. No fim de agosto, um navio cargueiro pagou US$ 5,3 milhões para obter uma passagem prioritária, um recorde.

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Rotas mais longas e custos de transporte mais altos

Diante da situação, alguns armadores deixam de utilizar o canal e optam por contornar a América do Sul. Outros transportam suas mercadorias por ferrovia, principalmente pelo México.

Em ambos os casos, porém, o transporte se torna mais longo e mais caro. Isso pode acabar afetando o consumidor, já que o aumento dos custos de transporte pode ser repassado aos preços das mercadorias.

Alguns países estão particularmente expostos. Um quarto do comércio exterior do Equador passa pelo Canal do Panamá, contra 22% no caso do Chile e do Peru.

Em uma perspectiva mais ampla, portanto, o El Niño não afeta apenas o Canal do Panamá, mas potencialmente toda a economia mundial. O fenômeno altera as temperaturas, os ventos e as precipitações em diferentes regiões do planeta, e o episódio atual pode ser particularmente intenso.

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Para o Canal do Panamá, isso se traduz concretamente em menos água e, portanto, menos navios. Para o comércio mundial, significa rotas mais longas, custos mais elevados e, potencialmente, aumento dos preços.

É mais uma ilustração de uma economia mundial cada vez mais dependente de um clima que, por sua vez, se torna cada vez menos previsível.

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