Resultado de eleição presidencial no Peru depende de validação de votos no exterior

O Júri Nacional de Eleições do Peru (JNE), principal órgão eleitoral do país, avaliará o recurso do partido Juntos por el Perú, de Roberto Sánchez, que insiste em invalidar 2.398 seções em Lima e nos EUA e prepara mais recursos legais para anular votos do exterior. Com 99,4% das urnas do segundo turno apuradas, Keiko Fujimori tem 50,107% dos votos, e Sánchez, 49,893%.

18 jun 2026 - 08h19

O Júri Nacional de Eleições (JNE) deve julgar nesta sexta-feira (19) os recursos apresentados pelo partido, que pretende "recuperar" votos de atas pendentes de diferentes províncias do país, segundo o jornal El Comercio. O segundo turno aconteceu em 7 de junho.

Durante a audiência será analisado o recurso apresentado por Carlos Zafra Flores, representante legal da Juntos por el Perú, que busca invalidar 1.751 seções de votação em Lima, onde os resultados favoreceram a candidata presidencial de extrema direita Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular.

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Segundo ele, as seções contestadas estão localizadas em diferentes locais de votação de Barranco, Ate, Carabayllo, Pachacámac, San Juan de Lurigancho, Comas, Chorrillos, El Agustino, Independencia, La Victoria, San Juan de Miraflores e Cercado de Lima, entre outros distritos.

O representante da Juntos por el Perú apresentou recursos de apelação contra decisões de diferentes Jurados Eleitorais Especiais sobre atas contestadas durante o segundo turno presidencial. O objetivo da legenda é que, após nova verificação ou recontagem, sejam incorporados votos que teriam sido contabilizados de forma incorreta como nulos.

Roy Mendoza, representante legal da Juntos por el Perú, afirmou ao jornal peruano que o JNE deverá se pronunciar primeiro sobre aspectos formais e depois sobre o mérito dos casos apresentados. Ele acrescentou que a legenda realiza reuniões para definir estratégias relacionadas ao resultado de votos e às seções no exterior.

Grande parte das atas pendentes corresponde a votos de eleitores no exterior.  As cerca de 300 mil cédulas que ainda precisam ser analisadas, que não foram oficialmente validadas pela Justiça eleitoral e, por isso, não entram no resultado final definitivo, provêm de consulados e de seções de votação fora do Peru.

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O segundo turno da eleição presidencial peruana aconteceu em 7 de junho.
O segundo turno da eleição presidencial peruana aconteceu em 7 de junho.
Foto: RFI

Especialista contesta recurso

Em entrevista à rádio RPP, a advogada e especialista em direito eleitoral Silvia Guevara Pérez explicou que desde 2021, os peruanos no exterior formam um distrito eleitoral próprio com dois assentos no Congresso, o que reflete sua importância numérica e o vínculo que mantêm por meio de remessas e propriedades.

Guevara Pérez ressaltou que o sistema eleitoral evoluiu desde 1980 para integrar os cidadãos que vivem fora do país e que "não há nenhuma restrição na legislação eleitoral orientada a limitar o direito de voto" por razões de localização geográfica. O anúncio do resultado final da eleição está previsto para meados de julho.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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