Os países latino-americanos propuseram nessa quarta-feira na ONU uma aliança global para o desenvolvimento e um novo modelo de relações internacionais que responda à realidade do século XXI.
"Este século será o da América Latina e do Caribe, porque o continente "tem tudo para superar a pobreza", afirmou em seu primeiro discurso nas Nações Unidas o presidente do Chile, Sebastián Piñera.
Na Cúpula da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), encerrada nessa quarta-feira em Nova York, houve uma participação muito ativa dos países latino-americanos, mas também significativas ausências de presidentes.
O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, denunciou durante uma entrevista que muitos países sem peso na ONU são convidados e a atual capacidade de veto de alguns Estados é "inadmissível".
"É preciso pensar em um novo modelo de relações internacionais onde se reconheçam as entidades regionais", afirmou Patiño. O presidente do Chile, que também representou o Grupo do Rio, reiterou que a região busca fortalecer uma "Aliança Global para o Desenvolvimento".
"Contamos com um território extenso e fértil, abundantes recursos naturais, dois idiomas irmãos, democracias cada vez mais consolidadas, ausência de guerras e conflitos religiosos e povos solidários e capazes de superar qualquer obstáculo imposto pela natureza", afirmou.
O presidente peruano, Alan García, citou os avanços no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre os quais destacou que seu país cresceu uma média de 6,5% nos últimos cinco anos e espera para este ano um índice de 8%.
O Peru, acrescentou o líder, cumpre a meta de reduzir pela metade a percentagem de pessoas com níveis de renda abaixo da linha da pobreza extrema e se, em 2002, 24% dos cidadãos se encontravam nessa situação, no ano passado eram apenas 11,5%.
O chanceler uruguaio, Luis Almagro, considerou que o compromisso para erradicar a fome e a pobreza extrema "só pode ser eficaz se for coletivo".
O comércio internacional, a transferência de tecnologia, o acesso aos remédios, uma solução duradoura para o problema da dívida externa e o cumprimento dos ODM, são a chave para todos os níveis de desenvolvimento, disse Almagro.
O vice-chanceler argentino, Alberto D'Alotto, pediu também nessa quarta-feira uma revisão "sincera e profunda" dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e aos países desenvolvidos que, apesar da crise, mantenham seus compromissos.
Os objetivos pactados pela comunidade internacional há dez anos para serem cumpridos até 2015 são erradicar a pobreza extrema e a fome, conseguir a escolarização primária universal, fomentar a igualdade de gêneros, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o vírus HIV e a aids, assegurar a sustentabilidade ambiental e desenvolver uma associação global para o desenvolvimento.
Os países mais ricos devem cumprir suas promessas de destinar 0,7% de seu PIB para a ajuda no desenvolvimento, segundo a ministra brasileira do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Marcia Helena Carvalho Lopes.
Mas, a cooperação internacional, de acordo com Brasil, deve estar acompanhada de "uma reforma substancial do sistema econômico internacional", necessária também para superar os obstáculos que representam as tarifas e os subsídios agrícolas nos países desenvolvidos.
O chanceler salvadorenho, Hugo Martínez Bonilla, expôs na ocasião as metas conseguidas por seu país quanto aos ODM em erradicação da pobreza e escolarização, entre outros.
Bonilla destacou que, apesar da crise mundial e dos problemas em matéria de segurança, além dos desastres naturais, seu país "alcançou conquistas substantivas".
A prioridade do Panamá em sua estratégia de desenvolvimento é aprofundar a inserção da economia no contexto internacional, explicou o presidente do país, Ricardo Martinelli.
No meio de uma crise econômica mundial, o Panamá mantém "um crescimento significativo, graças a suas políticas de competitividade", disse Martinelli em seu primeiro discurso na ONU.
A Cúpula dos ODM será seguida, nesta quinta-feira, pelo debate anual da Assembleia Geral da ONU, na qual líderes de 192 países tratarão assuntos da atualidade mundial.