Destino político de Le Pen começa a ser definido nesta semana na França

12 jan 2026 - 10h43

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, inicia esta semana em Paris um recurso crucial que determinará se ela poderá concorrer às eleições presidenciais de 2027, após ter sido impedida de ocupar cargos públicos devido a uma condenação por uso indevido de fundos da União Europeia.

Le Pen, líder de longa data do partido de ‌extrema-direita Reunião Nacional (RN), era vista como uma provável favorita na corrida presidencial de 2027, até ser considerada culpada no ano passado de desviar mais de 4 milhões de euros ‌de fundos da União Europeia. Ela foi proibida de concorrer a cargos públicos por cinco anos, com efeito imediato.

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Le Pen recorreu, assim como a RN e outros dez nomes considerados culpados de desviar fundos do Parlamento Europeu. A audiência começa na terça-feira e deve terminar em 12 de fevereiro.

RESULTADO ANTES DO VERÃO

Uma decisão é esperada antes do verão no hemisfério norte, que começa em 21 de junho, o que significa que suas esperanças de concorrer em 2027 permanecem vivas caso sua suspensão de cinco anos seja revogada ‍ou drasticamente reduzida.

Caso ela não possa se candidatar, Le Pen afirmou que seu protegido, Jordan Bardella, de 30 anos, presidente do RN, será o substituto.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, e membros importantes de sua equipe manifestaram apoio a Le Pen após sua condenação, e qualquer tentativa de impedi-la de concorrer provavelmente será usada por eles em sua campanha para retratar os tribunais e autoridades europeias como agentes que buscam bloquear injustamente a ascensão de políticos de ‌extrema-direita ao poder.

Autoridades de Trump realizaram discussões internas no ano passado sobre a imposição de sanções contra promotores e juízes ‌franceses envolvidos na inelegibilidade de Le Pen, afirmaram quatro fontes à Reuters, embora essas conversas não pareçam mais estar em andamento.

A notícia, divulgada inicialmente pela revista alemã Der Spiegel, foi negada pela subsecretária de Estado Sarah B. Rogers no canal X na quinta-feira, descrevendo-a como uma "notícia falsa".

Um porta-voz do Departamento de Estado disse: "Não fazemos previsões sobre possíveis ações."

A porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, afirmou na quinta-feira que o governo permanecerá vigilante quanto a uma possível interferência dos EUA, após Peimane Ghaleh-Marzban, presidente do Tribunal Judicial de Paris, declarar que qualquer ação contra um juiz francês "constituiria uma interferência inaceitável e intolerável nos assuntos internos do nosso país".

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Ao longo do último ano, os EUA impuseram sanções contra 11 juízes do Tribunal Penal Internacional envolvidos em casos contra Israel.

LE PEN ALEGA MOTIVAÇÃO POLÍTICA

Os advogados de Le Pen, Rodolphe Bosselut e Sandra Chirac Kollarik, recusaram-se a fazer comentários antes do julgamento.

Após a condenação, Le Pen acusou o judiciário de perseguição política, ecoando a retórica usada nos EUA.

"No país dos direitos humanos, os juízes implementaram práticas que pensávamos serem reservadas a regimes autoritários", disse Le Pen ao canal de televisão francês TF1 na época.

Os juízes explicaram em sua decisão que decidiram tornar a proibição efetiva imediatamente "para evitar danos irreparáveis à ordem pública democrática".

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As pesquisas de opinião indicaram que a maioria dos franceses apoiava a decisão.

O advogado do Parlamento Europeu, Patrick Maisonneuve, disse esperar que as condenações de Le Pen e dos seus co-réus sejam mantidas, incluindo a indenização de mais de 3 milhões de euros ao Parlamento Europeu. O RN também foi condenado a pagar uma multa de 2 milhões de euros, com metade do valor suspenso.

Em sua decisão de março passado, os juízes afirmaram que, entre 2004 e 2016, Le Pen e outros usaram fundos destinados ao trabalho no Parlamento Europeu para pagar funcionários que, na verdade, ‌trabalhavam para o partido.

Le Pen afirmou que a forma como ela e seus co-réus usaram o dinheiro foi legítima.

Os problemas legais de Le Pen parecem ter beneficiado Bardella, seu possível substituto na corrida eleitoral. Uma pesquisa realizada no outono passado revelou que Bardella venceria a corrida presidencial, independentemente de quem fosse seu oponente no segundo turno.

"Os franceses viraram a página em relação a Marine Le Pen", disse Stewart Chau, analista do Verian Group, à Reuters.

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