Albânia descarta renovar polêmico acordo com Itália para controle de migração

Decisão está ligada à expectativa de adesão do país à União Europeia

12 mai 2026 - 09h42

O ministro das Relações Exteriores da Albânia, Ferit Hoxha, afirmou nesta terça-feira (12) que o governo de Tirana não pretende renovar, após 2030, o acordo que permite à Itália instalar e operar centros de acolhimento para migrantes em território albanês.

    Segundo Hoxha, a decisão está ligada à expectativa de adesão da Albânia à União Europeia até o fim da década.

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    O controverso acordo bilateral, ratificado em 2024, prevê a operação de centros administrados pela Itália para receber migrantes resgatados no Mediterrâneo antes de eventual entrada em solo italiano.

    A iniciativa foi apresentada pelo governo da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, como uma estratégia para reduzir a imigração irregular, mantendo os migrantes fora das fronteiras da União Europeia enquanto seus pedidos são analisados.

    "Em primeiro lugar, é um acordo de cinco anos e não tenho certeza se haverá uma prorrogação", declarou Hoxha à imprensa europeia. "Em segundo lugar, não haverá prorrogação porque seremos membros da União Europeia. Assim que a Albânia aderir, deixará de ser extraterritorial e passará a ser território da União Europeia." Atualmente, a Itália mantém dois centros de acolhimento na Albânia. No entanto, o funcionamento das instalações vem enfrentando disputas judiciais, que limitaram a aplicação prática do plano migratório italiano.

    As dificuldades ocorreram mesmo após a aprovação, em 2024, do novo Pacto sobre Migração e Asilo da União Europeia, que abriu espaço para medidas mais rígidas de deportação e autorizou juridicamente a criação de "centros de retorno" fora do território europeu, desde que respeitados determinados critérios de segurança e direitos dos migrantes.

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    O modelo adotado pela Itália despertou interesse de outros países europeus e também do Reino Unido, especialmente após o governo trabalhista britânico abandonar o controverso plano de deportação de migrantes para Ruanda, criado pela administração conservadora anterior.

    A declaração de Hoxha provocou forte reação da oposição italiana. O deputado Enzo Amendola, líder do Partido Democrático (PD), criticou duramente o projeto defendido por Meloni.

    "Isso chegou ao nível do ridículo", afirmou Amendola. "O que Giorgia Meloni e a direita apresentaram como um modelo para a União Europeia tornou-se o pior exemplo de política migratória, da qual até mesmo a Albânia está se distanciando." O parlamentar também classificou os centros como "um desperdício vergonhoso e colossal de dinheiro público", acusando o governo italiano de construir uma política baseada em "propaganda" e sem resultados concretos.

    Representantes do Movimento 5 Estrelas (M5S) também criticaram o acordo. Em nota conjunta, os parlamentares Alessandra Maiorino, Pietro Lorefice, Francesco Silvestri e Filippo Scerra afirmaram que a decisão albanesa representa "o prego final no caixão" do "desastroso e custoso" acordo migratório de Meloni.

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    Segundo eles, o projeto resultou em "centenas de milhões de euros desperdiçados" e desviou efetivos policiais italianos para proteger "algumas dezenas de migrantes". O grupo ainda acusou o governo italiano de transformar o país em uma "nação ridicularizada" internacionalmente, que "ninguém mais respeita".

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