Fachin tira do inquérito das fake news pedido de Moraes para investigar Mendonça

Presidente do STF estabeleceu que o caso seja incluído na ação para esclarecer os indícios encontrados pela PF contra Moraes

4 set 2026 - 09h31
(atualizado às 10h12)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin
Foto: WILTON JUNIOR / Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou, nesta sexta-feira, 4, a retirada do pedido de investigação contra o ministro da Corte André Mendonça feito por seu colega Alexandre de Moraes do âmbito do inquérito das fake news. Moraes é relator dessa ação, que já dura sete anos. 

  • Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos

Fachin estabeleceu que o caso seja incluído em uma petição aberta ontem para esclarecer os indícios encontrados pela Polícia Federal (PF) contra Moraes após a divulgação de mensagens do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Publicidade

Além disso, Fachin determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise o pedido de investigação contra Mendonça. "À Procuradoria-Geral da República, dê-se vista para que, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, apresente parecer acerca da admissibilidade e da regularidade do procedimento e, se pertinente, das imputações nele deduzidas", disse o presidente do STF em despacho publicado hoje.

Ele também deu um prazo de cinco dias, após a posição da PGR, para que Mendonça se manifeste sobre o caso antes de tomar uma decisão. "As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações", escreveu Fachin. 

'O STF é maior do que qualquer um que o integra', diz Flávio Dino em meio à crise na Corte
Video Player

Pedido de investigação contra Mendonça

Antes dos pedidos de Fachin, na própria quinta-feira, 3, Moraes havia enviado ao presidente da Corte um pedido de investigação contra Mendonça.

Segundo o documento, Moraes pede para que seja apurada atuação de Mendonça na condução das Operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e a Compliance Zero, sobre o Banco Master. Moraes usou o inquérito das fake news para acusar o ministro André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Publicidade

O pedido de investigação foi feito dois dias após Mendonça derrubar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Moraes.

Quais são os argumentos de Moraes?

O ministro afirma que a conduta de Mendonça apresenta indícios de irregularidades, como improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e eventual favorecimento de grupos políticos na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes sustenta que a conduta do colega consiste em:

  • Usurpação da direção das investigações das autoridades policiais, inclusive com determinação de medidas administrativas que afastaram a observância da cadeia de custódia prejudicando a produção probatória;
  • Condução irregular das tratativas de eventual colaboração premiada;
  • Direcionamento de determinados alvos para investigação (Ministro Alexandre de Moraes e Senador Davi Alcolumbre), por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal.

Em petição de 20 páginas entregue a Edson Fachin, Moraes disse que um relatório de inteligência da Polícia Federal detalha condutas de Mendonça. O relatório de inteligência aponta que, em relação a Moraes, o ministro André Mendonça expressamente "denota interesse no início de investigação formal". Segundo o documento, Mendonça "solicitou mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido". 

*(Com informações do Estadão Conteúdo)

Fonte: Portal Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações