Flávio Bolsonaro admite ter se reunido com Vorcaro após primeira prisão do banqueiro

19 mai 2026 - 13h53
(atualizado às 16h09)

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, admitiu nesta ‌terça-feira que se reuniu pessoalmente com Daniel Vorcaro em São Paulo após o ex-dono do Banco Master ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira no final de 2025.

Senador Flavio Bolsonaro fala com jornalistas, em Brasília, após reunião  com aliados
19 de maio de 2026
REUTERS/Mateus Bonomi
Senador Flavio Bolsonaro fala com jornalistas, em Brasília, após reunião com aliados 19 de maio de 2026 REUTERS/Mateus Bonomi
Foto: Reuters

A admissão foi feita por Flávio Bolsonaro em entrevista coletiva após se reunir, na sede do PL em Brasília, com dirigentes e parlamentares do partido. Ele admitiu esse encontro aos aliados a portas fechadas.

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Em sua justificativa, o presidenciável afirmou que, ⁠desde maio do ano passado, Vorcaro deixou de honrar os compromissos que ele tinha assumido em custear o financiamento ‌do filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. E que a "virada de chave" que teve foi quando da prisão dele, em novembro passado.

Segundo Flávio, o encontro ‌com o banqueiro era para dar um "ponto final" nas tratativas e ‌buscar novos financiadores.

"Em função disso, eu trago aqui para vocês, falei lá dentro para os deputados ⁠e vi que a imprensa já divulgou, eu estive mais uma vez com ele mais uma vez após este evento quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico, ele não podia sair da cidade de São Paulo", disse.

"Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final na história dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor ‌há muito mais tempo e o filme não correria risco", emendou ele, para quem foi uma "grande dificuldade nesse momento ‌arrumar outros investidores para concluir o ⁠filme".

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O pré-candidato, que sofreu seu ⁠mais importante revés desde que foi ungido pelo pai na corrida ao Palácio do Planalto no final do ano passado, ⁠deu nesta terça suas explicações a portas fechadas a aliados ‌e depois fez uma declaração à ‌imprensa, não abrindo para perguntas.

Presente à reunião fechada, o deputado Alberto Fraga (DF), um dos vice-líderes do PL na Câmara, disse à Reuters que Flávio Bolsonaro se desculpou por não ter contado antes sobre toda a relação que teve com Vorcaro com o argumento de que haveria um contrato de ⁠confidencialidade.

O senador reforçou, segundo Fraga, que a reunião com Vorcaro em São Paulo teve como objetivo cobrar prestações atrasadas para o filme e que está preparado para outros questionamentos.

"Não fica uma desconfiança", disse o vice-líder, acrescentando que o encontro não teve cobranças.

A revelação das relações de Flávio Bolsonaro com Vorcaro veio à tona na semana passada em reportagem do The Intercept Brasil. Segundo ‌a reportagem, Flávio pediu ao banqueiro um financiamento milionário para fazer o filme sobre o pai.

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Na semana passada, o próprio Flávio havia indicado em entrevista à CNN Brasil que novos fatos da relação deles poderiam ⁠aparecer, mas nada além desse pedido de recursos.

Na declaração desta terça-feira, Flávio Bolsonaro reforçou que seu contato com Vorcaro foi "única e exclusivamente" para tratar de detalhes do filme.

A família Bolsonaro apoiou, no ano passado, a produção de um filme em inglês chamado "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro, que agora cumpre uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado depois de perder a eleição de 2022. Atualmente ele está em prisão domiciliar por motivos de saúde.

Vorcaro está preso preventivamente desde março e foi transferido na segunda-feira a uma cela comum na carceragem da Polícia Federal em Brasília após ter acabado de preparar os anexos da sua proposta de delação premiada para entregar a investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, segundo uma fonte a par das tratativas.

Se o pacote da delação for aceito pelos investigadores, o pedido de colaboração seguirá para homologação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do inquérito que envolve as fraudes do Banco Master.

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