Produtora diz que filme de Bolsonaro já custou R$ 65,7 milhões; 90% do gasto foi bancado por Vorcaro

Flávio Bolsonaro admitiu que recebeu cerca de R$ 60,6 milhões de Daniel Vorcaro para 'patrocinar' o filme

19 mai 2026 - 18h38

O filme Dark Horse, produzido por membros do Partido Liberal (PL) para contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve mais de 90% do seu orçamento bancado com dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso e investigado por fraudes bilionárias na instituição.

Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, responsável pelo longa-metragem, diz que o orçamento já realizado do filme está em cerca de US$ 13 milhões (o equivalente a R$ 65,7 milhões). A afirmação foi feita em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.

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Os valores repassados por Vorcaro à Flávio Bolsonaro a produção do filme Dark Horse superam o orçamento total de “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões)
Os valores repassados por Vorcaro à Flávio Bolsonaro a produção do filme Dark Horse superam o orçamento total de “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O próprio senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já admitiu que recebeu de Daniel Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para "patrocinar" o filme, o que corresponde a aproximadamente 92% do orçamento atual da produção.

Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou mensagens por escrito e áudio entre Flávio e o dono do Banco Master. Nos diálogos, o senador cobra dinheiro de Vorcaro para bancar a produção do filme sobre a vida do pai.

Na entrevista, Karina afirmou que, após a prisão de Vorcaro, todos que estavam à frente do filme tiveram que buscar novos investidores para viabilizar o projeto. Segundo a dona da produtora, Vorcaro atuou como um intermediador de verba para o longa, não como investidor.

Já Flávio Bolsonaro, em entrevistas, cita Vorcaro como investidor e patrocinador do "Dark Horse", não como intermediador.

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Karina afirmou que a GoUp não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro, mas do fundo Heavengate. O fundo fica sediado no Texas, nos Estados Unidos e é administrado por aliados do irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos em exílio auto-imposto desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevistas, Flávio nega que a verba de Daniel Vorcaro esteja sendo usada para outros fins além da produção do filme. A PF deve investigar o caminho do dinheiro para verificar se os recursos foram usados, de fato, para custear o longa metragem.

Antes da divulgação dos áudios, Flávio disse ser "mentira" que o filme "Dark Horse", que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento de Daniel Vorcaro. Após a publicação da reportagem pelo Intercept Brasil, o senador mudou a versão e admitiu que recebeu pagamentos do banqueiro. No entanto, ele nega que tenha cometido qualquer irregularidade, e que se tratava apenas de um "patrocínio" ou um "investimento".

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Segundo as informações publicadas pelo site e confirmadas pelo Estadão, teria havido uma negociação para que Vorcaro desse uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões). Esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação da PF sobre o caso Master.

Os valores repassados por Vorcaro a Flávio Bolsonaro para a produção do filme Dark Horse superam o orçamento total de "Ainda Estou Aqui" (R$ 45 milhões) e "O Agente Secreto" (R$ 28 milhões), dois sucessos brasileiros que chegaram inclusive ao Oscar, maior premiação do cinema mundial.

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