Lula se prepara para reenviar indicação de Messias antes das eleições, mas ministro adota cautela

Presidente diz a aliados que está disposto a enviar nova indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) ao Senado; ministr

17 mai 2026 - 18h55
Jorge Messias cogita deixar o governo Lula após derrota no Senado
Jorge Messias cogita deixar o governo Lula após derrota no Senado
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que vai reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições, mas o ministro ainda adota cautela sobre a possibilidade.

No dia 29 de abril, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo, rejeitando Messias por 42 votos a 34. Com o resultado, o presidente Lula rompeu uma aliança que tinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como artífice da derrota.

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Nos últimos dias, Lula disse a aliados que está disposto a mandar a indicação de Messias novamente ao Senado e fará a indicação antes das eleições de outubro.

O presidente deu a sinalização mesmo sem a certeza de como seria uma segunda votação de Messias e antes mesmo de se acertar com Alcolumbre. Aliados de Lula ponderam que o envio da indicação ainda dependeria de concretização e conversas com o Senado.

O ponto de virada, segundo integrantes do Palácio do Planalto, foi a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira, 12. Messias foi aplaudido fortemente na solenidade. Para Lula, o gesto representou um sinal de respeito e reconhecimento ao trabalho de Messias e um desagravo ao indicado. Alcolumbre, que estava presente na posse, não aplaudiu e nem cumprimentou o presidente. Ele estava ao lado de Lula na mesa da cerimônia.

Messias, que é ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), teve uma conversa com Lula antes da posse no TSE. Foi a segunda reunião entre os dois desde a derrota no Senado. Segundo aliados do chefe AGU, Messias só aceitaria uma nova indicação com muita certeza de que seria aprovado, principalmente após amargar a primeira derrota. Ele entrou de férias na quarta, 13, e só deve voltar ao trabalho no dia 26 de maio.

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O ministro recebeu apoio de juristas ligados a Lula, aliados do governo e líderes evangélicos após a derrota. Em conversas reservadas, eles prestaram solidariedade a Messias e disseram que tinham certeza que ele foi vítima de um jogo político-eleitoral no Senado e que não foi rejeitado por falta de reputação ou qualidade técnica para o cargo de ministro do STF.

Uma segunda opção entrou na mesa, a de Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa hipótese está mais em segundo plano. O atual ministro da pasta, Wellington César Lima e Silva, vem recebendo críticas internas no governo em uma pauta sensível para Lula em ano eleitoral, que é a segurança pública.

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública, em tramitação no Congresso, levaria Lula a criar o Ministério da Segurança Pública e a reorganizar os cargos. Para Messias, porém, o Ministério da Justiça não é atrativo, segundo interlocutores, pois falta pouco tempo para o término do mandato, a função representaria um “segundo tempo” de confronto com o Congresso e seria melhor ele terminar o mandato na AGU.

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