Suspeitos de planejar ataque a bomba na Avenida Paulista são detidos pela polícia

Integrantes de grupo virtual previam uso de bombas caseiras e coquetéis molotov como forma de 'manifestação' sem pauta definida, mas com objetivo de causar pânico e incitar violência, segundo investigações

2 fev 2026 - 18h22
(atualizado às 20h16)

A Polícia Civil de São Paulo realizou uma ação para impedir um possível ataque a bomba que estava sendo planejado para esta segunda-feira, 2, e que tinha como alvo a Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais da capital paulista. Em paralelo, um plano do tipo também foi desmobilizado no Rio.

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Ao todo, 12 suspeitos de participar da ação em São Paulo, com idades entre 15 e 30 anos, foram identificados e conduzidos para prestar esclarecimentos, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).

Conforme a Polícia Civil, os investigados, todos integrantes de um grupo virtual que não teve o nome divulgado, planejavam o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov como forma de "manifestação" sem pauta definida, mas com o objetivo de causar pânico e incitar a violência.

Em São Paulo, ação tinha Avenida Paulista como alvo, segundo a Polícia Civil.
Em São Paulo, ação tinha Avenida Paulista como alvo, segundo a Polícia Civil.
Foto: Tiago Queiroz/Estadao / Estadão

Mais cedo, a Polícia Civil do Rio informou que impediu um ataque terrorista que seria realizado também nesta segunda com o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov no centro da capital fluminense.

Como mostrou o Estadão, a ação planejada por lá era uma manifestação antidemocrática a ser realizada em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Três suspeitos foram detidos. As investigações apontam relação direta entre os identificados no Rio e em São Paulo.

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'Trabalho de antecipação'

No caso de São Paulo, a ação desta segunda resulta de um trabalho de inteligência do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), braço da Polícia Civil que monitora possíveis comportamentos criminosos nas redes sociais.

"É um trabalho de antecipação, de chegar na frente antes que aconteça", disse, em coletiva realizada nesta segunda, o secretário da Segurança Pública do Estado, delegado Osvaldo Nico Gonçalves.

"Não tinha pauta nenhuma, mas eles (os alvos da operação desta segunda) queriam tumultuar, angariando pessoas para fazer uma manifestação e para fazer um tipo de 'atentado'", acrescentou.

Com apoio da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), os investigadores do núcleo identificaram que os alvos envolvidos atuavam a partir da capital e de cidades da região metropolitana e do interior do Estado.

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Os suspeitos repassavam informações e instruções a outros membros do grupo. Seis deles tinham poder de comando e ao menos um foi encontrado com simulacros de arma de fogo, segundo informações preliminares.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, os suspeitos instruíam inclusive como os participantes do grupo poderiam identificar policiais infiltrados durante eventuais manifestações, em espécie de "manual de instrução" dos ataques.

"Durante semanas, os participantes compartilharam vídeos e instruções detalhadas sobre a fabricação e o lançamento de artefatos explosivos improvisados", afirmou a Secretaria da Segurança Pública.

"Estamos analisando se os atos preparatórios configuram crime, em ocorrências que estão (sendo registradas) nas respectivas delegacias, tanto em São Paulo quanto no interior, para saber quais serão os próximos passos. Os indivíduos estão sendo ouvidos", disse Dian.

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'Rede de alcance nacional'

A Secretaria da Segurança Pública afirma que as investigações apontaram que o grupo monitorado integra uma rede de alcance nacional, com mais de 7 mil participantes, para discussão de ações violentas em diferentes regiões do País.

"Apesar da abrangência, foi identificada uma concentração significativa de mobilização nos Estados de São Paulo e do Rio", diz a pasta.

As investigações apontaram que, em São Paulo, a comunidade virtual que seria usada como principal espaço para organização do ataque planejado para a Avenida Paulista reunia quase 600 integrantes. As investigações prosseguem.

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