A Tesla iniciou os testes do Cybercab em Austin, no Texas, colocando nas ruas robô-táxis sem volante ou pedais, guiados apenas por câmeras e inteligência artificial. O lançamento animou as ações da montadora, que busca novas fontes de receita, mas a empresa ainda opera atrás de rivais como a Waymo, que possui frotas maiores e usa sensores a laser. Além da concorrência, o projeto enfrenta o desafio da desconfiança do público americano e a rejeição à imagem de Elon Musk.
Entrar em um táxi e não encontrar motorista já deixou de ser novidade em algumas cidades dos Estados Unidos. A Tesla, porém, ousou, decidiu eliminar qualquer possibilidade de intervenção humana e colocou dezenas de Cybercabs sem volante e pedais para circular pelas ruas de Austin, no Texas.
A estreia ocorreu na quinta-feira, 3, e representa uma nova fase do serviço de robo-táxis da fabricante. Ao contrário dos Model Y utilizados até agora, o Cybercab não oferece comandos para que o passageiro assuma a direção caso alguma coisa saia do roteiro. Quem entra precisa confiar integralmente no sistema autônomo.
Pintados de dourado, os veículos começaram a rodar pela capital texana poucas horas antes de um evento restrito, somente para convidados. Nas redes sociais, a Tesla resumiu a proposta com as seguintes palavras: "sem volante, sem pedais". Elon Musk, chefão da companhia, completou a divulgação com imagens de uma suposta "tempestade de Cybercabs" sobre Austin.
A movimentação animou o mercado. As ações da empresa avançaram mais de 5% na quinta-feira, alimentadas pela expectativa de que os robo-táxis possam abrir uma nova fonte de receita para uma fabricante que enfrenta queda nas vendas de automóveis.
Tesla ainda está distante da Waymo
Apesar do barulho provocado pelo lançamento, a Tesla inicia essa nova fase bem atrás de sua principal concorrente. A Waymo, controlada pela Alphabet (dona do Google), já opera mais de 4 mil veículos autônomos sem motoristas de segurança em 14 cidades norte-americanas.
A frota não supervisionada da Tesla, por sua vez, tem pouco mais de 200 carros distribuídos por seis cidades do Texas e da Flórida, de acordo com o RobotaxiTracker, plataforma que acompanha a expansão desse tipo de serviço.
A diferença entre as empresas não está apenas no tamanho das frotas. O sistema da Tesla depende essencialmente de câmeras para interpretar ruas, veículos, pedestres e sinalização. Waymo e Zoox, subsidiária da Amazon, combinam câmeras com radares e sensores lidar, capazes de mapear o ambiente com feixes de laser.
Ao dispensar esses equipamentos, a Tesla aposta em uma solução teoricamente mais simples e barata. Em contrapartida, precisa provar que as câmeras são suficientes para manter o carro seguro em situações adversas.
Passageiros ainda desconfiam
Fazer o Cybercab funcionar é apenas parte do desafio. A outra é convencer o público a entrar em um veículo no qual ninguém pode segurar o volante ou pisar no freio.
Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center em fevereiro mostrou que sete em cada dez adultos norte-americanos se sentiam pouco ou nada confortáveis com a ideia de viajar em um carro sem motorista. Apenas 7% disseram estar muito ou extremamente à vontade com a tecnologia.
Outro levantamento, feito pelo Gallup em 2025, apontou que a desconfiança em relação à segurança dos veículos autônomos havia aumentado nos Estados Unidos na comparação com uma pesquisa semelhante de 2018.
A imagem do próprio Elon Musk pode tornar esse trabalho ainda mais difícil. Em janeiro, outra consulta do Pew mostrou que quase seis em cada dez norte-americanos tinham uma opinião desfavorável sobre o empresário.