O tombo da Tesla: o que explica a perda da liderança mundial de elétricos em 2025?

Fim de incentivos fiscais nos EUA, falta de lançamentos e a ascensão agressiva da chinesa BYD explicam o recuo da montadora de Elon Musk

4 jan 2026 - 19h24

As vendas de carros da Tesla caíram 16% nos últimos três meses de 2025, informou a empresa na sexta-feira, 2. O resultado é reflexo direto do fim de incentivos fiscais que às vendas de carros elétricos nos Estados Unidos.

Antiga líder mundial do segmento, a Tesla perdeu terreno significativo para outros fabricantes. Em 2025, pela primeira vez na história, a empresa vendeu menos carros elétricos do que a principal montadora da China, a BYD.

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Os números de vendas divulgados de 2025 deixam claro o quanto a Tesla se distanciou de sua meta de se tornar a maior montadora do mundo. A empresa previa vender 20 milhões de carros por ano até 2030, o dobro do volume atual da Toyota, atual líder.

Em vez disso, o CEO Elon Musk apostou o futuro da empresa em carros autônomos e robôs humanoides, desenvolvendo tecnologias que ainda não geram receita significativa e enfrentam concorrência acirrada.

A Tesla continua sendo a maior fabricante americana de veículos elétricos, mas a queda nas vendas sugere uma desaceleração ampla nos Estados Unidos para uma tecnologia vista como essencial no combate às mudanças climáticas e à poluição urbana.

A seguir, conheça as principais razões que levaram a empresa a perder espaço.

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1- O fator político e o fim dos incentivos

No ano passado, o presidente Donald Trump e os republicanos no Congresso eliminaram créditos fiscais de até US$ 7.500 para compradores de veículos elétricos. Além disso, o governo Trump iniciou no mês passado um esforço para desmantelar regulamentações de descarbonização que pressionavam as montadoras a produzir mais modelos movidos a bateria.

Essa mudança de 180 graus na política federal teve um impacto forte na Tesla, que detém 45% do mercado de veículos elétricos nos EUA e era a maior beneficiária dessas políticas. Musk foi um dos maiores apoiadores de Trump na eleição de 2024, mas isso não impediu os republicanos de favorecerem a indústria de combustíveis fósseis após retomarem o controle do Congresso e da Casa Branca.

A montadora informou que entregou 1,64 milhão de carros em todo o mundo em 2025, abaixo dos quase 1,8 milhão de 2024. As vendas no quarto trimestre caíram para 418 mil unidades, contra 496 mil no ano anterior.

2- A ascensão da BYD e o cenário global

Na quinta-feira, 1º, a BYD anunciou que vendeu 2,26 milhões de carros elétricos globalmente no ano passado, um aumento de 28% em relação a 2024. Uma proporção crescente dessas vendas ocorreu fora da China, principalmente na Ásia, Europa e América Latina. Vale notar que os carros elétricos chineses estão barrados nos Estados Unidos por tarifas elevadas.

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5- Aposta nos Robotaxis

Apesar dos números, Wall Street mantém as ações da Tesla em níveis recordes. Os investidores acreditam que a empresa dominará o mercado de táxis autônomos. O serviço de Robotaxi da Tesla já opera em Austin e São Francisco, embora ainda com monitores humanos a bordo.

Enquanto isso, a Waymo (da Alphabet/Google) já opera cerca de 2.500 táxis totalmente autônomos e planeja expandir para mais 20 cidades em 2026.

Tesla Model Y autônomo faz testes em Austin, no Texas
Tesla Model Y autônomo faz testes em Austin, no Texas
Foto: Reprodução Interne / Estadão

Essa reportagem foi publicada originalmente no The New York Times. O conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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