Os furtos e roubos de carros elétricos e híbridos cresceram de forma acelerada em São Paulo neste ano. Levantamento da Ituran Brasil com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do estado mostra que o número de roubos e furtos de carros elétricos e híbridos subiu 129% neste ano no estado de São Paulo, com 101 ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026, contra 44 no mesmo período de 2025. Outro levantamento da mesma empresa, também citado por veículos de imprensa, aponta 107 casos contra 53 no mesmo intervalo, uma alta de 101%.
A capital paulista concentra a maior parte dos crimes. Foram registrados 74 casos entre janeiro e maio de 2026, contra 23 no mesmo período de 2025. Santo André e São Bernardo do Campo aparecem na sequência do ranking estadual, mas com números bem menores, o que reforça que o problema está concentrado sobretudo na região metropolitana de São Paulo.
Um dado chama atenção de especialistas em segurança veicular: a mudança no perfil das ocorrências. Em 2025, cerca de 59% dos boletins de ocorrência registrados eram de roubos de veículos eletrificados, mas em 2026 os roubos passaram a representar apenas 15% das ocorrências, enquanto os furtos passaram para 85%. Na prática, isso significa que os criminosos têm agido cada vez menos com violência direta contra o motorista e cada vez mais por meio de ações discretas, sem confronto.
Essa mudança está diretamente ligada ao avanço de técnicas de clonagem eletrônica. Segundo a Ituran, os criminosos vêm aperfeiçoando equipamentos para acessar os sistemas eletrônicos dos veículos e clonar chaves, o que torna os furtos mais rápidos e difíceis de perceber. O recurso à tecnologia dispensa a necessidade de abordagem armada e ajuda a explicar por que os casos sem violência ultrapassaram os roubos tradicionais neste ano.
O crescimento dos crimes acompanha, mas também supera, a expansão da frota eletrificada no país. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico mostram que o número de eletrificados em circulação subiu 71,7% entre maio de 2025 e maio de 2026, passando de 445,9 mil para 765,9 mil unidades. Ou seja, o ritmo dos furtos tem crescido em velocidade ainda maior do que a quantidade de carros elétricos e híbridos nas ruas, o que indica que esses modelos vêm se tornando alvo preferencial das quadrilhas, e não apenas vítimas de um aumento proporcional ao tamanho da frota.
O fenômeno não é exclusivo de São Paulo. No Rio de Janeiro, dados do Sindicato das Empresas de Seguros Privados apontam para uma escalada ainda mais expressiva, com salto de 144% nas ocorrências no primeiro trimestre do ano. Levantamentos ligados ao setor de seguros também têm associado o aumento dos crimes à valorização das baterias no mercado paralelo, o que already vem pressionando para cima o preço do seguro para esse tipo de veículo em várias regiões do país.
Para o consumidor paulista, o cenário reforça a importância de recursos de rastreamento e bloqueio à distância, além de atenção redobrada ao estacionar em vias públicas, sobretudo na capital, onde a concentração de casos é maior. Especialistas do setor de seguros também recomendam que o proprietário verifique se a apólice contratada cobre especificamente furto qualificado por clonagem eletrônica, já que esse tipo de ocorrência vem se tornando o principal risco para quem dirige um carro elétrico ou híbrido em São Paulo.