Depois de substituir o tradicional V8 HEMI pelo novo Hurricane de seis cilindros na linha Ram 1500, a fabricante decidiu voltar atrás. Ao menos parcialmente. O belíssimo motor de oito cilindros retornará ao mercado brasileiro em 2027.
A confirmação foi feita durante o lançamento da Ram 1500 Big Horn, versão de entrada da picape que chega por R$ 449.990. A marca ainda não revelou qual configuração receberá o propulsor nem apresentou detalhes sobre preços, equipamentos e desempenho.
No entanto, é importante ressaltar que o V8 não irá "expulsar" o Hurricane da gama Ram no país. As duas motorizações serão vendidas simultaneamente, em versões com propostas diferentes.
"Vamos ter as duas motorizações em versões totalmente diferentes, que ainda não definimos. O V8 chega no ano que vem", garantiu Juliano Machado, vice-presidente da Ram para a América do Sul.
Por que o V8 saiu de linha?
A aposentadoria do HEMI não foi uma decisão isolada da Ram. Leis ambientais mais rígidas, metas de redução de emissões e a necessidade de diminuir o consumo colocaram os motores grandes sob pressão.
Para continuar oferecendo potência sem depender dos oito cilindros, as fabricantes passaram a investir em propulsores menores. Foi assim que o HEMI 5.7 V8 perdeu espaço para o Hurricane 3.0, um seis cilindros em linha equipado com dois turbocompressores.
No frigir dos ovos, não houve enfraquecimento. A Ram 1500 vendida atualmente no Brasil desenvolve 426 cv com o Hurricane, ante aproximadamente 400 cv do antigo V8. O novo motor também entrega mais torque e disponibiliza essa força mais cedo, graças à sobrealimentação.
Todavia, para entender o retorno do V8, é preciso ir além da tabela de potência e torque. O motor faz parte da identidade das picapes grandes norte-americanas. O ronco grave, o funcionamento naturalmente aspirado e a entrega progressiva de potência construíram uma experiência que não pode ser reproduzida por frios números de ficha técnica.
A reação dos consumidores ficou evidente nos Estados Unidos, primeiro mercado em que a Ram abandonou o HEMI na 1500. Proprietários, fãs e concessionários criticaram a decisão e pressionaram pela volta do motor.
A fabricante ouviu o recado. Em vez de insistir que o público precisava aceitar o futuro escolhido pela empresa, decidiu oferecer novamente o passado; agora como alternativa.
A volta também revela uma diferença importante entre a relação racional e emocional que o consumidor mantém com um automóvel. Uma picape não é escolhida somente pela capacidade de carga, pelo consumo ou pelo tempo de aceleração. Em determinadas categorias, tradição, som e personalidade pesam quase tanto quanto os dados técnicos.
HEMI retorna atualizado
Nos Estados Unidos, o HEMI 5.7 V8 entrega 395 cv e cerca de 56,7 kgfm de torque. O motor trabalha com uma transmissão automática de oito marchas e com o sistema híbrido leve eTorque de 48 volts.
O conjunto usa um gerador elétrico para auxiliar o propulsor a combustão em algumas situações, especialmente nas arrancadas. Também permite o funcionamento do sistema start-stop e ajuda a alimentar os componentes elétricos da picape.
Essa solução permite que a marca preserve parte da experiência tradicional do V8 sem ignorar completamente as exigências de eficiência que motivaram sua retirada.
Ainda não está confirmado, porém, se o motor destinado ao Brasil terá exatamente as mesmas especificações da versão norte-americana. Por lá há ainda o 6.4 de 477 cv de potência e o 6.2 supercharged que rende gloriosos 788 cv.
Atualmente, a Ram 1500 é vendida no país apenas com o motor 3.0 biturbo. Esyte deverá permanecer nas versões Big Horn, Laramie e Laramie Night Edition, enquanto o HEMI poderá ser reservado a uma configuração com posicionamento próprio.
Nos Estados Unidos, o V8 equipa versões como a TRX e a Rumble Bee. A Ram ainda não informou qual versão poderá chegar ao Brasil ou se criará uma configuração específica para o mercado local.
A mudança também coloca a marca novamente no mesmo campo de suas principais concorrentes. Ford F-150 e Chevrolet Silverado continuam oferecendo motores V8 no Brasil, transformando a arquitetura mecânica em parte importante da disputa entre as full-size.