Atuando como observador do VAR na Supercopa Rei, Péricles Bassols precisou intervir na revisão de Rodolpho Toski Marques para a análise que determinou a expulsão de Carrascal, do Flamengo, antes do recomeço da partida vencida pelo Corinthians, na volta do intervalo.
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A presença de Bassols durante a revisão foi questionada pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina (@soudoapito) como possível interferência externa. Para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), porém, trata-se de medida prevista para a função desempenhada por Bassols na partida (veja comunicado a íntegra abaixo).
Segundo o protocolo, o observador do VAR não pode "estar envolvido em qualquer tomada de decisões, com a exceção de impedir uma infração do protocolo". A CBF afirma que Bassols "limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro".
"Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa", completa a entidade.
Análise da possível interferência externa do Péricles Bassols no VAR, durante a expulsão do Carrascal.
Flamengo 0x2 Corinthians
? Rafael Rodrigo Klein - RS/FIFA
? Rodolpho Toski Miranda - PR/FIFA pic.twitter.com/kMVRJTS1GF
— Paulo Caravina (@soudoapito) February 2, 2026
O que aconteceu?
No fim do primeiro tempo, Carrascal agrediu Breno Bidon, em lance que não foi visto pelo árbitro de campo, Rafael Klein. A etapa inicial foi encerrada, e os times foram aos vestiários.
A checagem do VAR foi concluída quando os jogadores já haviam descido para o intervalo. A intervenção do VAR em casos de conduta violenta é prevista a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo.
"No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo", diz a CBF, em nota.
Na imagem da cabine do VAR, é possível ver Péricles Bassols junto do VAR Rodolpho Toski Marques e do assistente de VAR, Emerson de Almeida Ferreira. Bassols justifica a revisão mesmo após o fim do primeiro tempo: "Conduta violenta pode ser revisada a qualquer momento", frase repetida por Toski Marques.
"Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%, você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário", explicou o árbitro de vídeo a Rafael Klein.
O árbitro de campo respondeu: "Ok. Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do seu adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 (Carrascal) por conduta violenta, ok?".
Em outro comunicado, publicado ainda no domingo, a CBF já havia explicado o procedimento. A entidade informou ainda que houve uma queda de energia elétrica em setores do estádio, inclusive na cabine do VAR, durante o intervalo do jogo. "O sistema de contingência (no-break) manteve a operação do VAR por aproximadamente 15 minutos. Como a energia na região não foi restabelecida prontamente, a partida transcorreu sem o uso do VAR entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo", diz a nota.
O Corinthians abriu o placar no primeiro tempo, com Gabriel Paulista, de cabeça. No minuto anterior ao período em que o VAR esteve fora do ar, o time alvinegro ampliou com Memphis Depay, mas a arbitragem assinalou impedimento. Yuri Alberto balançou as redes nos acréscimos e garantiu a vitória por 2 a 0.
Veja o comunicado da CBF sobre possível interferência externa na revisão que determinou expulsão de Carrascal
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) repudia as ilações ao atribuir a expulsão do atleta Jorge Carrascal, do Flamengo, na Supercopa Rei, à suposta interferência de um agente externo, o Observador de VAR designado para a partida, Péricles Bassols.
A função do Observador de VAR na VOR (Video Operation Room) é zelar pelo cumprimento do Protocolo do VAR e garantir a correta aplicação das regras, sem qualquer participação na tomada de decisão do árbitro de campo. No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo.
Com o reinício da partida, ao informar que se dirigiria à ARA (Área de Revisão do Árbitro), o árbitro central, Rafael Klein, foi orientado pelo VAR quanto ao cumprimento do protocolo previsto para a situação. O Observador de VAR limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro. Ressalte-se que orientar sobre o procedimento é da natureza da função do Observador de VAR, e não configura interferência externa.
Qualquer recomendação quanto à decisão final caracterizaria, esta, sim, interferência indevida - o que não ocorreu. A decisão foi tomada exclusivamente pelo árbitro central, após a revisão das imagens na ARA, procedimento recomendado pelo árbitro assistente de vídeo, Rodolpho Toski.
Por fim, a CBF reafirma que Péricles Bassols, Observador de VAR da partida, é instrutor de VAR da FIFA e da Conmebol, com atuação pautada pelo rigor técnico, pela observância das regras e pela integridade dos processos da arbitragem.