Warsh, indicado para comandar o Fed, supera obstáculo de confirmação no Senado

29 abr 2026 - 12h05

Kevin Warsh, escolhido pelo presidente dos EUA, ‌Donald Trump, para liderar o Federal Reserve, superou um importante obstáculo processual nesta quarta-feira, abrindo caminho para suceder Jerome Powell nas próximas semanas, em meio aos esforços sem precedentes da Casa Branca para exercer controle sobre o banco central mais poderoso do mundo.

O Comitê Bancário do Senado aprovou o encaminhamento da indicação de Warsh ao plenário da Casa, que é controlado pelos ⁠republicanos. Todos os 13 republicanos do comitê apoiaram Warsh depois que o senador Thom Tillis, da ‌Carolina do Norte, retirou sua oposição após decisão do Departamento de Justiça, na sexta-feira, de encerrar uma investigação criminal contra Powell, que Tillis considerava uma ameaça à independência política do ‌Fed.

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Os 11 democratas do comitê, que dizem duvidar da ‌promessa de Warsh de definir políticas sem levar em conta os desejos do presidente, ⁠votaram contra ele.

A votação ocorreu no momento em que Powell lidera o que provavelmente será sua última reunião de definição de política monetária como chefe do Fed. Espera-se que o Comitê Federal de Mercado Aberto deixe sua taxa básica de juros inalterada na faixa atual de 3,50% a 3,75%, dada a inflação ainda elevada e a pressão de alta sobre os preços ‌decorrente da interrupção do fornecimento global de petróleo devido à guerra do Irã.

Há poucas dúvidas de ‌que o Senado confirmará Warsh, um ⁠advogado de 56 anos, ⁠financista e ex-diretor do Fed que prometeu uma "mudança de regime" para o banco central e que Trump ⁠tem dito repetidamente que fará os cortes de juros ‌que o presidente deseja.

NÃO ESTÁ ‌CLARO SE POWELL PERMANECERÁ NA DIRETORIA DO FED

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O mais cedo que o Senado poderá votar a indicação de Warsh será na semana de 11 de maio. Se a votação for realizada nessa data, Warsh poderá tomar posse em 15 de maio, quando termina ⁠o mandato de liderança de Powell.

O que não está claro é se a ascensão de Warsh significaria a saída de Powell do Fed, ou se o atual chefe do banco central permanecerá como membro da sua diretoria -- e, se o fizer, se Trump levará adiante sua ameaça de tentar demiti-lo. Uma medida desse tipo ‌certamente atrairia uma contestação legal, assim como a tentativa do presidente, no verão passado, de demitir a diretora do Fed Lisa Cook.

O mandato de Powell na diretoria vai até janeiro ⁠de 2028.

Os chefes do Fed quase sempre deixam o cargo para dar lugar a seus sucessores, e Powell é um advogado cuja adesão à regularidade é profunda. Mas ele considerou que a investigação criminal do governo era uma intimidação política e parte dos esforços do governo Trump para influenciar a forma como o Fed define as taxas de juros.

Powell disse no mês passado que não deixará o Fed até que a investigação criminal seja concluída com "finalidade", e que ele ainda pode permanecer no cargo se achar que isso é melhor para o banco central e para o país.

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A Procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, disse na sexta-feira que não hesitará em retomar sua investigação "caso os fatos o justifiquem". Os democratas do Senado Elizabeth Warren e Dick Durbin classificaram essa declaração na sexta-feira como uma ameaça de "futuras investigações infundadas" sobre Powell ou qualquer outro diretor do Fed.

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